quinta-feira, novembro 29, 2012

STREET ART 10



Lugares estéreis


Junto à torre de Sete Rios, Alexandre Farto há de subir, uma vez mais, na grua, para ser entrevistado pela jornalista da equipa de televisão alemã. Na noite seguinte chegará a Aveiro e aí deixará um rosto esculpido na Estação Ferroviária, três dias depois participará nas conferências TEDXAveiro e, a seguir, voltará a Lisboa, para, noite dentro, "marcar uma parede", na Avenida Calouste Gulbenkian, onde, depois, irá cravar mais um rosto na cidade. A agenda de Alexandre quase não tem espaços em branco ("acalmar é uma coisa que não existe hoje no meu vocabulário"), sobretudo em época de exposições. Mas é o trabalho na rua que mais o motiva, ou não viesse ele do mundo do graffiti - assume-se, aliás, como um dos seus grandes defensores. "O graffiti foi a minha escola, deu-me o ato de intervir no espaço público. Tem um potencial enorme como dinamizador cultural e como potenciador criativo, mas há um dinamismo que se destrói pela forma como é visto. O problema não é a maneira como o graffiti existe na cidade, é mais como a cidade trata o graffiti. Sempre foi visto como um intruso, como algo que deve ser limpo e combatido, quando, na realidade, faz parte dela. Pode revitalizar o lado visual de um lugar e pode, também, pôr o dedo nas feridas da cidade, chamar a atenção para os prédios devolutos, as zonas degradadas e esquecidas", defende. Contra um "espaço acetinado e cinzento em que o único ponto de cor seria a publicidade que nos vai ao bolso ou a sinalética da cidade", Alexandre intervém como sabe. Sem isso, acredita, chegaríamos "ao puro funcionalismo da cidade, quando, pelo contrário, a cidade é um sítio onde as pessoas querem viver e onde querem sentir uma identidade". E observa: "Quando não há intervenção das pessoas no espaço público, os lugares tornam-se estéreis. O espaço público deixou de ser visto como espaço de interação, de comunicação, de discussão, de enriquecimento, de diálogo." (VISÃO) 


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quarta-feira, novembro 28, 2012

STREET ART 9


No entanto, Alexandre prefere não esmiuçar os significados daquilo que cria a fim de deixar espaço à interpretação de cada um. "A conceptualização extrema do teu trabalho é a mesma coisa que estar em frente de um espelho a falar para ti próprio, e isso não me interessa", explica. Se, em tempos, chegou a trabalhar à volta de frases ou de palavras - "Lisboa, limpa por fora, podre por dentro", inscreveu numa parede; ou "It's all about make up" e "reality", escavacou - hoje, opta por deixar as palavras de fora. Mas o trabalho que faz, reconhece, "é uma crítica, de alguma maneira, política". (VISÃO)

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terça-feira, novembro 27, 2012

STREET ART 8


"Todo o trabalho que executo na rua é uma declaração de amor-ódio ao espaço urbano. Levar isso para uma galeria também é uma carta de amor à cidade porque o meu trabalho anda à volta da influência que a cidade tem em mim", diz Alexandre, que, em espaços fechados, tem trabalhado nas paredes, mas também com outros materiais - papel, madeira, metal - sempre com essa perspetiva das camadas que se acumulam e se retiram (até nas ilustrações que fez para jornais e revistas, como a VISÃO, assinadas com as iniciais AMDF, se intuía esse conceito). Na exposição (Diorama) que se inaugura amanhã, 1 de junho, na Vera Cortês, e que se estenderá até 31 de julho, apresentará os trabalhos desenvolvidos nos últimos dois anos. Algumas das peças, em esferovite, têm quase dois metros de altura, e falam-nos, uma vez mais, da nossa relação com as cidades e como elas nos criam a identidade: de uma certa perspetiva, a representação de um conjunto de prédios transforma-se num rosto anónimo.

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segunda-feira, novembro 26, 2012

STREET ART 7



Corrida de ratos
Alexandre Farto tinha 18 anos quando participou na organização da Visual Street Performance - VSP, no Bairro Alto, em Lisboa, uma iniciativa de street art que atraiu centenas de pessoas, em várias edições anuais. No ano seguinte, sem média para entrar numa faculdade e com uma passagem rápida pela escola AR.CO, decidiu candidatar-se, com o seu portefólio como cartão de visita, à Central Saint Martins, em Londres, e foi aceite. Aproveitou os recursos da escola, as técnicas que lhe ensinaram e desenvolveu a sua obra, integrada no mundo da street art londrina, com o apoio da galeria Pictures on Wall. Dois anos mais tarde, em 2008, estava a participar no Cans Festival, organizado por Banksy nos túneis da estação de Waterloo - e foi aí que o mundo o descobriu (Portugal incluído...). O seu trabalho (os rostos de duas mulheres, uma jovem e outra velha, a olharem em direções opostas) fez capa do jornal The Times britânico, a BBC chamou-lhe "o Banksy português", o The Telegraph batizou-o "Andy Wall-hole", o The Guardian elegeu a sua obra como uma das dez melhores de street art do mundo. Havia de se seguir o convite da Galeria Lazarides, a mais prestigiada de street art em Londres (com artistas como Banksy, JR ou Blu) e hoje passa o tempo a viajar, para responder aos muitos convites de festivais. Já são três as galerias que o representam: a lisboeta Agência de Arte Vera Cortês, onde apresentou a sua primeira exposição Even if you win the rat race, you're still a rat, em 2008, a Lazarides e, agora, a Magda Danysz, em Xangai. (VISÃO)


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domingo, novembro 25, 2012

STREET ART 6


Do graffiti nas paredes, Alexandre Farto mudou-se para o graffiti na publicidade ilegal que se acumulava nos muros, na rua. "Comecei a vê-la como uma tela, como um espaço onde podia trabalhar", conta. Descobriu que um stencil pode não ser apenas a técnica em que, através do recorte numa folha de papel ou de acetato, se aplica tinta e se deixa impresso na parede o desenho que daí resulta: "É como uma janela para ver algo que está atrás." Por isso, em vez de adicionar mais uma camada à cidade, começou a retirar, nessa espécie de escavação arqueológica. E encontrou o seu método de trabalho nas ruas.

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sábado, novembro 24, 2012

STREET ART 5


Era quase impossível não reagir, já dissemos. E, para o perceber, temos mesmo que recuar a esses tempos no Seixal, quando Alexandre Farto começou a fazer tags (assinaturas de graffiti), tinha apenas dez anos. Aos 13, já grafitava a sério, na margem sul do Tejo e não demorou a integrar o coletivo Leg Crew, de Almada. Fazia letras, sobretudo, era isso que apreciava e foi assim que nasceu o nome Vhils, simplesmente por serem estas as que mais gostava de desenhar. Escapulia-se de casa à noite para ir pintar comboios e paredes, passou pelos tormentos de quem insiste em fazer graffitis, fugiu pelas ruas escuras, foi parar à esquadra uma vez, mas isso tudo só serviu para gostar cada vez mais do que fazia. E começou a olhar, com mais atenção, para as paredes que grafitava: de um lado, via os desenhos murais do pós-25 de Abril esboroarem-se até quase já não se verem, do outro, os cartazes publicitários a acumularem-se como grossas paredes sobre paredes já existentes. "Aquela atividade combativa do pós-25 de Abril não era enaltecida, apesar de fazer parte da nossa história. Aqueles resquícios das pinturas refletiam o tratamento que lhes era dado, como se esse sonho e essa utopia tivessem sido completamente esquecidos. A publicidade a ir para cima dos murais, e depois o graffiti, e a cidade a tentar limpar isso... Se escavarmos todas essas camadas sobrepostas quase conseguimos ver a história daquele lugar", nota Alexandre. "As paredes refletem a contemporaneidade; a velocidade com que essas camadas estão a fazer essa construção sempre me cativou, e interessa-me perceber como conseguir tirar da cidade uma impressão daquilo que se vive", acrescenta. Uma ideia que se aplica a Lisboa ou ao Porto, a Londres, Paris ou Xangai, cidades em cujas paredes já trabalhou. "Passar do local para o global ainda dá mais sentido ao trabalho que executo. A margem sul deu-me uma visão que depois é adaptável a qualquer espaço do mundo. A globalização, de alguma maneira, disseminou um modelo de desenvolvimento urbano, económico e social. Quando se leva este tipo de trabalho para outros pontos do mundo é uma reflexão sobre isso mesmo: a velocidade a que o desenvolvimento evolui. E depois disto ninguém sabe o que vai acontecer, todos caminhamos sem saber o que vem aí, nem aonde estamos a querer chegar." (VISÃO)

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sexta-feira, novembro 23, 2012

STREET ART 4


Construir destruindo
Esventrar uma parede e expor-lhe as entranhas, é isso que Vhils faz. Descobre as camadas de pedra que a formam, numa referência às camadas que nos formam enquanto pessoas e que formam também uma cidade - cidade essa que ele humaniza, dando-lhe uma cara, e pondo-nos face a face com ela. "Pegar na imagem de um cidadão comum, do everyday hero, e dar-lhe espaço numa cidade, criar uma metáfora sobre o quanto uma pessoa pode cravar uma cidade como a cidade a crava a ela. Esse ciclo sempre me interessou bastante, pelo caótico da cidade e a maneira como influenciamos as coisas sem estarmos conscientes disso. Trabalhar com o caótico levou-me ao trabalho com a destruição: construir, destruindo. E naquele caminho que fazemos todos os dias, de repente, temos uma cara num prédio em que nem notávamos, que estava completamente abandonado e entregue à especulação. Um não lugar passa a ter vida, estás a pôr-lhe um foco, tem uma nova utilidade e faz as pessoas pensarem naquilo. No final, estás a tocar na vida das pessoas, porque todos nós somos feitos de uma série de cadências de eventos", afirma Alexandre Farto. Scratching the Surface - foi assim que chamou a este projeto: arranhar a superfície, perceber o que está para lá dela, eliminar as camadas de ruído que se vão formando e que nos vão afastando uns dos outros. (VISÃO) 


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quinta-feira, novembro 22, 2012

STREET ART 3


A máscara e os óculos protegem-no e tapam-lhe a cara, enquanto solta, com um martelo pneumático, estilhaços da parede. Calças de ganga e t-shirt preta, faz por passar despercebido dentro da equipa de amigos que formou para trabalhar com ele. Visto cá de baixo, quase parece uma coreografia: ora à vez, ora ao mesmo tempo, Alexandre, Duarte, Viktor e Alexander vão escavando a parede sobre o desenho de um rosto que ali fizeram há dois dias. Os braços, as roupas, o cabelo, tudo em volta se vai cobrindo do fino pó branco que se liberta do cimento. O barulho das máquinas sobrepõe-se ao ladrar dos cães da União Zoófila, mesmo ao lado desta torre do Edifício-Escola da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses. Ao fim da tarde, quando o Eixo Norte-Sul se começar a encher de carros no regresso a casa, já serão muitos os automobilistas a virar a cabeça na direção daquele rosto de olhar vazio que agora os fita dali de cima, daquela parede de cimento. (VISÃO)

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quarta-feira, novembro 21, 2012

STREET ART 2


Era difícil ficar indiferente, e Alexandre Farto não ficou. Dali do Seixal, onde nascera em meados dos anos 80 e onde sempre vivera, via-se a cidade avançar, a "triturar o espaço", recorda, a tomar conta do que antes era campo. Viam-se cada vez mais pessoas a chegar, a ocuparem os prédios que iam crescendo, em altura e extensão. Ali era quase impossível não reagir - e Alexandre reagiu. Agora, 25 anos feitos em fevereiro, olha para trás, em busca dessas memórias, para explicar como chegou ao lugar onde está agora - o cesto de uma grua erguido a dezenas de metros de altura, para poder esculpir um rosto na parede exterior de uma torre em Sete Rios, Lisboa. É, e sempre foi, a cidade a motivá-lo; foi ela que fez nascer Vhils, o nome com que assina; foi nela que encontrou inspiração para, por todo o mundo, espalhar esse nome, e é dela a grande responsabilidade de hoje ser reconhecido como um dos melhores artistas de street art do planeta. Não admira que, cá em baixo, a vê-lo trabalhar, estejamos nós e uma equipa televisiva alemã que prepara um documentário sobre ele. Nem que, nos próximos dias, seja procurado por jornais, revistas e canais de televisão, a aproveitar esta passagem de Alexandre por Lisboa, entalada entre a sua vinda de Londres (vive entre cá e lá), uma viagem de trabalho ao México e outra a Paris, uma passagem por Aveiro, e no último dia 1 de junho, a inauguração da sua exposição na Galeria Vera Cortês, em Lisboa. (VISAO)

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terça-feira, novembro 20, 2012

STREET ART


Sou um acérrimo critico do que aí polula como "arte urbana" ou street-art . Entendo que 99,9% do que por aí se faz mais não é que puro vandalismo e uma necessidade canina de marcação territorial.

Continuo a criticar autarquias do Seixal por promoverem iniciativas como o Seixal-Graffitti , á custo do herário público, quando não apoiam a reabilitação de casas do centro histórico do Seixal, Arrentela ou Amora ou nem uma gota de tinta aplicam em Património Municipal como por exemplo  a Quinta da Trindade.

Fui por isso apelidado com alguns vocábulos menos simpáticos sempre que abordo este tema .

No entanto, há um artista urbano, nascido crescido e residente no Seixal, com projecção Internacional ao nível de Banksy que reconheço e admiro e que  continua ignorado e ostracizado por parte dessa mesma autarquia  (corrijam-me se estiver errado)

Trata-se do trabalho do Seixalense Alexandre Farto , aka , "VHILS" cujo trabalho aqui se divulgará neste e nos próximos posts.

segunda-feira, novembro 19, 2012

À ESPERA DE UMA MORTE ?


Continuamos à espera de uma morte ou de um acidente grave para alguém fazer alguma coisa?

 Estrada EN378 Flor da Mata zona do novo viaduto A33.

quinta-feira, novembro 08, 2012

REALIDADE PARALELA



O A-SUL Pelos seus leitores
"A Câmara do Seixal continua a encher autocarros de trabalhadores comunistas para mandar para as manifestações contra o governo mas na Câmara do Seixal o desgoverno é maior. Estes trabalhadores do partido comunista são cumplices do que a administraçlão CDU está a fazer, porque são o suporte da CDU e as suas más politicas. A Câmara do Seixal acabou de ganhar um prémio de igualdade o que é extranho numa Câmara onde há processo em tribunal contra a camara por discriminação contra trabalhador por ser doutro partido, assim como se faz neste momento uma greve de zelo por parte de trabalhadores descontentes com a má gestão da Câmara discriminatoria em desfavor de alguns trabalhadores.
O descaramento dos autarcas da Câmara CDU é dos maiores quando tanta gente sofre com dificuldades o presidente continua a ter 2 carros pagos com o dinheiro do povo pobre."

terça-feira, novembro 06, 2012

E ESTES ?


Também não deve ser difícil julgar e pôr no lugar devido , os autores de "buracos" destes feitos em nome de Abril, do Povo , ou do Povo de Abril... e os Prius ( ainda hoje fui ultrapassado pela senhora vereadora...) e o BMW ...

segunda-feira, novembro 05, 2012

O SAQUE

 Mas será tão difícil encontrar quem assinou, quem saíu do governo para a gestão , quem não controlou, quem não acautelou ??? 

Ou os responsáveis somos nós que arcamos com a dívida , que nos demitimos de votar, de questionar, de acusar ?