quinta-feira, agosto 13, 2009

ALMAS MENTIROSAS 4 !

SEIXAL - RELEMBRAR PROMESSAS NÃO CUMPRIDAS


Continua por cumprir a promessa de alargamento da Ponte da Fraternidade , a criação da ciclovia que consiga dar lógica e utilidade aos troços entretanto construídos a reboque da instalação de uma grande superfície (Leclerc) e de mais uma urbanização sobre a Baía (A.Silva & Silva).


A pressa com que se demoliu o Estaleiro de Paulo da Gama afinal não acompanhou a conclusão ou prossecução das obras prometidas há anos .

(post publicado originalmente em Dez 2008 , hoje actual)

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Ultima Hora

Intolerância (pouco) Democrática na Margem Sul


Agressões em Alcochete

Segundo o Jornal i , « Os insultos pessoais e a guerra de blogues têm marcado a campanha eleitoral à Câmara de Alcochete, mas na madrugada de ontem, nas Festas do Barrete Verde, os ânimos entre candidatos do PSD e da CDU aqueceram e entraram na agressão física, com os dois a confirmarem que foram assistidos no hospital.»

Notícia no i

Notícia na TSF

Notícia no Correio da Manhã

Notícia no SOL


quarta-feira, agosto 12, 2009

ALMAS MENTIROSAS 3 !

CDU SEIXAL - LEMBRAR PROMESSAS NÃO CUMPRIDAS


Há uma enorme distância entre a realidade e a ficção propagandistica com que diáriamente somos bombardeados das mais diversas formas nestas autarquias da Margem Sul .

Um exercício interessante é a comparação do presente com promessas eleitorais do passado e verificar tudo o que ficou por cumprir.

O cartaz da imagem acima esteve durante anos nas Paivas - Seixal , junto ao Pingo Doce , era prometido um Parque de Estacionamento em silo subterrâneo ... dizia-se então no cartaz que o projecto estava até "em execu
ção" , só que ... afinal não foi construído, reduzindo-se a promessa à realidade de um canteiro relvado e de mais uma rotunda.



Para a posteridade e memória futura destes Pinóquios autárquicos ficam as imagens !



Julgue por si próprio !

(post publicado originalmente em Dez 2008, hoje actual)

terça-feira, agosto 11, 2009

ALMAS MENTIROSAS 2 !



Quando toca a promessas turisticas, elas são geralmente fáceis de desmontar no imediato, mas o tempo dá uma ajuda. depois das fantasias que ontem publicámos sobre o Seixal, que todos sabemos não serem a verdade.

Veja-se quatro anos depois as promessas feitas na Moita pela CDU que logo desmontámos (link) por mera comparação com o maior Parque de Diversões da Europa (Eurodysney) localizado na cidade europeia maior receptora de turismo, Paris.


O tal negócio, prometido como uma "sétima" maravilha, anunciava :

- Investimento 75 milhões de euros. - Área 60 hectares - Postos de trabalho 1200 - Reconversão de "solo rural" e parte integrante de Reserva Ecológica Nacional. em solo urbano com usos lúdico- culturais e de lazer.

- Visitantes :

- 1ª Fase 10.000 visitantes /dia = 3.65 milhões /ano
- 2ª Fase 20.000 visitantes/dia = 7.3 milhões/ano
- 3ª Fase 30.000 visitantes/dia = 10.95 milhões/ano

Comparando com a realidade dos visitantes recebidos em Paris nos últimos anos :
- 1998 - 12,5 Milhões
-1999 - 12,5 Milhões
-2000- 12 Milhões
-2001 - 12,2 Milhões

-2002 - 13,1 Milhões

-2003 - 12,4 Milhões

-2004 - 12,4 Milhões

O projecto da Moita á permitir que Portugal ficasse na linha da frente do turismo europeu podíamos contar para depois da Páscoa de 2008 ,data da inauguração do parque temático da Moita, para além de 1200 empregos , para :

«Um parque temático “ que promoverá postos de trabalho” e a “afirmação do município da Moita, em Setúbal, na região de Lisboa e Vale do Tejo e no país”, assegura o presidente da Câmara Municipal da Moita, João Lobo. O projecto envolve um investimento de cerca de 75 milhões de euros, por parte da Badoca Actividades Turísticas, e “uma área a edificar de aproximadamente 37.000m2”, acrescenta a autarquia, prevendo-se que a abertura ocorra “na Páscoa de 2008”, como revela o administrador da Badoca, Francisco Almeida.

Claro que nada foi feito - felizmente - mantém-se a maior mancha de pinhal contínua do concelho da Moita, mas promete-se para o local ... não a manutenção daquele pulmão em zona de Reserva Ecológica , mas um novo Parque Logístico ... palavras para quê
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Última hora (18.30)

Arde com grande intensidade desde as 16.30 e com a intervenção de meios aéreos e de mais de uma centena de bombeiros e mais de 30 viaturas , uma àrea da Herdade da Apostiça.

Um outro incêndio deflagrou cerca das 17.30 na Mata da Machada no Barreiro .

Fonte : Protecção Cìvil

segunda-feira, agosto 10, 2009

ALMAS MENTIROSAS 1 !


Os folhetos turisticos geralmente só mostram, enganadoramente , o lado mais côr-de-rosa dos sítios, e todos damos um certo desconto ao que vemos nas agências de viagens.

Quando se utiliza a imprensa para fins de divulgação turistica , deve haver um cuidado mais objectivo no tratamento da informação, caso contrário os paraísos que se pretendem promover, têm um fim curto no universo de destinos que o mundo oferece.

Vem isto a propósito de um artigo publicado na revista "Alma Alentejana" sobre o Seixal e que diz o seguinte :


« As actividades culturais e desportivas, aliadas a uma gastronomia de qualidade e a um património valorizado são alguns dos motivos que fazem com que o Seixal conte actualmente com cerca de 170 mil habitantes »

« (...) As Quintas senhoriais, como a Fidalga ou a Trindade , com a sua história e património merecem uma visita demorada merecem um passeio alargado »

« Para descansar , o Parque do Serrado ou o parque urbano das Paivas oferecem a tranquilidade necessária para umas horas de repouso »


Podia-me dar ao trabalho de rebater o quanto fantasioso é este texto, e contrapôr com a realidade de cada uma das descrições feitas ... mas não vale nem a pena, acho que uma imagem , a de cima, de uma Quinta da Trindade (hoje 9/8/2009) que se promove como objecto merecedor de "visita demorada" , mas na verdade fechada e ao abandono representa a mentira que a autarquia exala por todos os seus poros sempre que tem oportunidade de se auto-propagandear .

domingo, agosto 09, 2009

O LIXO ... NO LIXO !


Só para ver a volta que eles dão à noticia do Correio da Manhã , as razões que vão alegar , ou a forma como vão ignorar :

" Um funcionário da Câmara do Seixal atirou um camião de recolha de lixo contra a casa do presidente da autarquia depois de ficar a saber que ia ser despedido.


Segundo o CM apurou, trata-se de um trabalhador de 45 anos, casado e com dois filhos, que terá estado envolvido num incidente, também com um veiculo da autarquia, em Setembro de 2008.


O inquérito terminou agora e, anteontem, quando tomou conhecimento que Alfredo Monteiro assinara o despacho de exoneração, o funcionário "tomou uma atitude desesperada", contou fonte próxima do trabalhador.


Depois de descarregar o camião, dirigiu-se à casa do presidente da Câmara, nos Foros da Amora e, após bater em váriuos carros, atirou o veículo contra o muro da vivenda. A seguir fez marcha-atras e arrancou, mas despistou-se e capotou metros à frente.

Ninguem ficou ferido.


A Câmara nega qualquer processo contra este funcionário."

sábado, agosto 08, 2009

A PERNA CURTA DA MENTIRA

Nos últimos posts tem havido uma sistemática e hábil fuga a comentar a razão pela qual a Câmara do Seixal é a única a manter ao abandono as suas praias ribeirinhas, até porque é , no Estuário do Tejo, a autarquia que maior àrea de areal possui .

A resposta é :

- Pura INCOMPETÊNCIA e desrespeito pelos munícipes, embora a desculpa venha sob a forma de agressão verbal e literalmente atirarem areia para os olhos... sobre um tema que de facto os incomoda, dizem "eles" passo a citar :


A-SUL pelos seus leitores (anónimo) :

« Tanto disparate junto !!!!!

A Baía do Seixal é da responsabilidade do Porto de Lisboa, a Cãmara não tem podres para fazer nada na água nem nas margens. Todos os anos para que as margens sejam limpas a Câmara insiste com o Porto de Lisboa para que a autorize a limpar. Se não fosse a insiste
ncia da Cãmara junto do Porto de Lisboa a Baía estava linda, cheia de muito mais lixo !!! A Ponta dos Corvos tem servidão militar concedida ao Alfeite (vejam o decreto). Nem a Câmara, nem ninguem pode construir nada, quanto mais um eco-resort!!! (risos)

Adeus seus IGNORANTES!!! »


Pergunto eu então, da forma mais ignorante possível face a tais iluminados , porque razão assim não é :


- Na Moita onde há areal limpo, estacionamento , infraestruturas de apoio, duches e wc's (imagem abaixo) ?


No Barreiro, onde há areal limpo, estruturas de apoio, duches, areal iluminado (imagem abaixo) ?


No Montijo-Samouco onde há uma piscina, areais limpos, ciclovia , campos de jogos , sanitários, restaurante ... estacionamento (imagem abaixo) ?


Ou em Alcochete..onde há areias limpas, estacionamento, estruturas de apoio...(imagem abaixo) ?


Não acham estranho que só no Seixal a autarquia se desculpe de nada fazer (nem o lixo limpar) nos seus areais ... "por causa da APL " (risos) ?

Nota : sobre as "serventias militares" também as há no Samouco- Montijo (BA 6) e no Barreiro ( Escola Fuzileiros )...

sexta-feira, agosto 07, 2009

DESPERDIÇAR RIQUEZA 2


Outra forma incompreensível de desperdicio de riqueza é o desaproveitamento de TODA a linha de costa da margem esquerda do estuário do Tejo no que toca ao aproveitamento para geração de energias renováveis.

- Será porque foi a grande aposta ganha por este Governo do P.S. ? Será porque é este a grande referência de José Sócrates e de Manuel Pinho ?

Talvez, mas não podemos estar a ser prejudicados em termos de desenvolvimento por bacocas questões ideológicas .

Porque razão não há projectos que visem o aproveitamento eólico na Península de Setúbal , nomeadamente na sua vertente off-shore ?

Não , não me refiro aos paraísos fiscais tão estimados, em contrapartida por alguns desses mesmos autarcas , mas sim da instalação de torres de geração eólica dentro do próprio estuário, tanto do Tejo, como do Sado ?

Igualmente triste é o desaproveitamento para solar fotovoltaico dos terrenos do chamado agora , Arco Ribeirinho (Siderurgia, Lisnave, Quimiparque) ou das antigas áreas ocupadas pelas abandonadas há muito, secas do bacalhau ?

quinta-feira, agosto 06, 2009

DESPERDIÇAR RIQUEZA 1


Que a autarquia de Almada abandone as suas praias do Tejo, ainda se compreende. Quem faz o que faz à praias atlânticas ou cria uma Fonte da Telha, não admira ... agora que o município do Seixal que não tem Costa Marítima , mas em contrapartida tem os melhores e mais extensos areais do estuário , isso é incompreensível.

E não é só no aproveitamento para banhos de Sol e "Mar" , é também o desaproveitamento que é feito para outras práticas lúdicas , como a canoagem, a vela , a corrida , ou o kite-surf só para referir algumas... nem uma ciclovia que corra paralela ás praias... ou em redor da Baía existe ... é o abandono total e é pena, num concelho que se diz virado para o turismo... mas qual turismo afinal ?

É que para já o único turismo exótico que aqui se poderá fazer serão os Safaris tipo Rocinha , percorrendo as ocupações ilegais e alugueres de alvéolos impenetráveis da Jamaica, as masmorras da Quinta da Princesa , ou os gangues do Miratejo ...

quarta-feira, agosto 05, 2009

DE VOLTA À PRAIA


O Conceito de praia para todos , praias de proximidade, mesmo em autarquias do interior , teve a sua origem em França (1996) na cidade de Saint-Quentin no Nordeste do país, e levada a cabo pela autarquia dadas as dificuldades sociais de uma parte dos seus 60 mil habitantes. A iniciativa começou por ser encher de areia o largo onde está instalada a Câmara Municipal e nela instalar um espaço para jogos e uma piscina pré-fabricada.

O sucesso foi tal que mesmo Paris, desde 2002 replicou nas margens do Sena e frente à Câmara Municipal espaços semelhantes, entretanto adoptados por cidades como Bruxelas, Berlin, Budapest ou Praga, só para dar alguns exemplos.

Ou seja , estes municípios dão-se ao trabalho de em cidades do interior instalarem espaços apraziveis para os seus munícipes.

Em Portugal, conheço alguns exemplos de autarquias do interior, com poucos habitantes, que conseguiram criar também espaços extremamente agradáveis para os seus munícipes, até em pequenas aldeias do Alentejo dito profundo , e não me estou a referir a povoações junto a barragens ou albufeiras.

E por exemplo no Seixal , o concelho ribeirinho do estuário do Tejo com maior número de quilómetros de praias de areia branca e fina o que faz esse município de 170 mil habitantes em prol dos seus munícipes ?

A resposta é simples : NADA !

As praias do Seixal não são limpas, não têm infra estruturas ( como Gaio-Rosário na Moita) , não têm vigilância , não têm um duche (como no Barreiro) , uma piscina ( como no Samouco) , uma rede para volley-ball de praia ou campos para futebol de praia (como em Alcochete) .

As praias do Seixal têm é muita procura, poderiam ter ciclovias , apoios, lavabos zonas para merendas, policiamento que impedisse o campismo selvagem , mas nada , nem o lixo das marés é retirado, nem a areia é limpa ... e muitos são os esgotos que correm em algumas das suas areias... com condomínios privados ali tão perto...

Como é possível que no Seixal se desperdice tanto o que para outros seria uma inestimável riqueza ?

terça-feira, agosto 04, 2009

O FIM DA IMPUNIDADE (?)



«
03.08.2009 - 17h41 Lusa, Paula Torres de Carvalho Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras, foi hoje condenado a sete anos de prisão efectiva e a perda de mandato. Bem como a pagar uma indemnização de 463 mil euros ao Estado.

O Tribunal de Sintra deu como provada a culpa do autarca em quatro crimes: fraude fiscal; abuso de poder; corrupção passiva para acto ilícito e branqueamento de capitais.

O mesmo tribunal absolveu o autarca de um crime de participação económica em negócio e de outros dois crimes de corrupção passiva.
»

Aqueles que rejubilaram ainda há poucos dias com a absolvição de Fátima Felgueiras, estarão hoje mais apreensivos (ou não) com a condenação de Isaltino Morais, se bem que só apenas tenha começado a habitual batalha de recursos .

No entanto, a opinião pública entendeu já , ter sido passada a mensagem do fim da impunidade dos poderosos, dos que se acham , pelo facto de serem "autarcas eleitos" , acima da lei , confundindo as bases do que é um Estado de Direito.


Os tempos são de facto outros , não porque tenha mudado seja o que fôr na justiça , simplesmente os desvarios e os abusos foram tantos e o sentimento de impunidade tão despudorado, traduzidos no acordão, como "uma total ausênciade consciência critica como cidadão e como detentor de cargo público" que não dá mais para esconder o que é por demais evidente e condenável.

Muitos acharão procedimento normal que
« Segundo a acusação deduzida em Janeiro de 2006, Isaltino Morais, acusado da prática de sete crimes, “recebia dinheiro em envelopes entregues no seu gabinete da Câmara” para licenciar loteamentos, construções ou permutas de terrenos. » ..

Até porque as provadas e as alegadas práticas não são exclusivas de Isaltino Morais , nem da Câmara de Oeiras , nem da margem Norte do Tejo ... sejam os envelopes que voam para contas privadas, para
offs-hores ou para partidos politicos , ou discutíveis práticas de originais permutas , alterações de PDM ou Planos de Pormenor.


Esperamos então, pelos que se seguirão !


Será que o senhor ex. ministro do ambiente e autarca adulado com a frontalidade que se lhe conhece não vai no futuro revelar nas suas memórias o submundo do chamado Poder Local Democrático ?
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Última Hora ; Apagão em Almada

- Continua o conflito entre comerciantes e autarquia . Parece que com o desespero se perdeu finalmente o medo dos controleiros e caceteiros almadenses que há décadas manietam a livre expressão dos cidadãos.

«
Os comerciantes de Almada reforçam o protesto contra o encerramento do eixo-canal da cidade ao trânsito com um “apagão” geral das lojas e montras, entre as 20:00 e as 09:00, de terça a sexta-feira.

O protesto surge na sequência da reunião realizada sexta-feira, entre os representantes do sector e a Câmara Municipal de Almada (CMA), que foi, sublinham os comerciantes, “inconclusiva e pautada pela ausência da presidente da autarquia, Maria Emília de Sousa” »

segunda-feira, agosto 03, 2009

A PRAIA PARA TODOS



Os nossos ilustres autarcas CDU de Almada e Seixal , quando se trata de praia rumam a Cuba ou a Cabo Verde , o comum dos mortais que vive por estas bandas, e pode , vai até á Caparica ou Fonte da Telha embora nem todos possam desfrutar de luxos como estar online , ou em boa companhia, numa esplanada ao fim de tarde .

Os outros , bom os outros ou ficam em casa , naqueles blocos de cimento escaldantes no Verão ou Gélidos no Inverno , deambulam pelas ruas sem jardins nem àrvores ou vão até às maravilhosas mas imundas praias da beira Tejo.


Nem todos têm sorte de viver em autarquias , que mesmo sendo igualmente CDU , têm um pouco mais de pensamento social - realmente nem é preciso muito - e que tratem de ter, neste Estuário do Tejo zonas apraziveis para os seus cidadãos , como são as praias do Barreiro, de Gaio Rosário , dos Moinhos em Alcochete ou do Samouco.

Num país europeu como Portugal , onde chovem e se desperdiçam fundos comunitários como se faz no Seixal , é pena termos governantes tão terceiro mundistas , de vistas tão estreitas e de costas tão voltadas para o rio como os de Almada e Seixal .

Há anos que aqui no a-sul alertámos para esta questão. Editámos já vários dossiers sobre o tema e demos até exemplos do tão pouco que seria necessário fazer ...

... Um duche ali (link) , um apoio mais além, a areia limpa(link) , o lixo apanhado (link) , uma piscina desmontável (link) ou algo tão simples como uma mangueira com água potável , um espaço para jogos (link) , mas nada, mesmo NADA foi feito (link) nos últimos anos.


PORQUÊ ?

domingo, agosto 02, 2009

SOMOS TODOS PALHAÇOS !


Essa foi a mensagem dos comerciantes de Almada que esta semana protestaram , vestindo-se a preceito,. ou pondo um redondo nariz vermelho, contra o absurdo plano de circulação viária imposto pelos politicos há alguns meses e que tem desertificado ainda mais o centro da cidade e levado os comerciantes ao desespero (video - clique) .

Isto só demonstra o quanto os politicos se encontram distantes dos cidadãos e do quanto a CDU tem prejudicado a vida na Margem Sul apregoando agora uma « mega área metropolitana, aeroportuária com centro no rio » .

Pensam mesmo que somos todos palhaços , ricos claro, dispostos a abrir os cordões à bolsa para todas as suas megalomanias provincianas.

sábado, agosto 01, 2009

TI - NÓ - NI !!!


Ao abrir o Jornal Comércio do Seixal e Sesimbra de 31 de Julho, vejo que a pré campanha está a ser inteligentemente marcada pelo Hospital do Seixal, forma ardilosa para não discutir outros temas quentes e outras questões igualmente importantes... a silly season fará o resto... e há quem embarque nisto !!!

Mas parece não incomodar ninguém que assim seja, agora parece ser também hora de cobrar , de quem são afinal os louros , como se mais uma vez a gestão autárquica se pautasse por uma corrida pueril por esta ou aquela ideia ...


Como se trata de um projecto do Governo Central, até acredito da sua conclusão, uma vez que pequenos projectos prometidos pela CDU -Seixal continuam há anos por executar. Mas continuo a achar estranho o seguinte:


- Porque não houve uma discussão pública sobre a localização do Hospital ?

- Porque não houve mais do que uma proposta ?


E porque é que, numa mesma semana em que se anuncia o projecto Arco Ribeirinho Sul em que um dos pontos pressupõe a utilização daqueles terrenos centrais na Margem Sul para fins de , cito : « dotação de equipamentos-âncora, e a instalação de equipamentos colectivos nos domínios fundamentais, quer da educação, da saúde, do desporto e da cultura» ... onde caberia por sopuesto...um hospital ... se opte afinal por um terreno , Cito « localizado no Fogueteiro, freguesia da Amora (concelho do Seixal), com uma área de cerca de 100.000 m2.»

Um terreno que é Rede Natura 2000, Sítio Fernão Ferro - Lagoa de Albufeira » ?


Andamos a brincar com o dinheiro dos contribuintes, é o que é ... e a continuar a hipotecar o futuro ecológico sustentável das futuras gerações que pagarão de forma brutal estas más opções da presente geração de politicos que parece unicamente preocupada em reservar um lugar nas urgências !!!
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ÚLTIMA HORA

Confirmado caso de gripe A no Centro de Estágios do Benfica no Seixal

Foi detectado um caso de gripe A num atleta do Sport Lisboa Benfica que regressou há pouco tempo do Brasil. Há ainda outro caso suspeito nas camadas jovens do clube. Em comunicado, o Benfica refere que «o atleta infectado encontra-se isolado e em tratamento»

sexta-feira, julho 31, 2009

CORRUPÇÃO EM PORTUGAL (10) - BALANÇO


Durante os últimos dias publicámos aqui , com enorme participação dos leitores, um extenso dossier sobre corrupção em Portugal e sua ligação intima aos sectores autárquicos e imobiliários.

As questões não são novas e têm sido ao longo dos anos sido aqui avaliadas vezes sem conta , a saber :

- A forma peculiar que as autarquias têm de emitir «papel moeda» .

- A forma única e discricionária como as autarquias premeiam uns com urbanizações que são verdadeiros jackpots, mas que põem em causa direitos de todos.

- A forma como as autarquias fazem tábua raza de leis de protecção ambiental, mexem a seu bel-prazer em zonas de REN, RAN, Rede Natura 2000 , desafectando e potenciando mais valias fabulosas ... para alguns...

- A forma como autarquias, futebol, construtores civis estão interligados numa teia bastante bem tipificada já com caracteristicas corruptórias e corruptas que têm expressão em muito mais que o mero tráfico de influências.

- A forma como o anteriormente descrito nos arrastou para a situação de crise actual que teve como origem precisamente o excesso de construção e um valor real do imobiliário distante do seu valor real e do valor do nosso esforço.

- E finalmente, a forma como uma minoria constituída por politicos e funcionários , de forma pouco democrática e escupulosa decide o futuro ecológico de todos nós, das nossas cidades e das nossas vidas sob a forma como controlam e emitem alvarás urbanisticos, revêem ou elaboram Planos de ordenamento , numa forma nunca antes tentada de fabrico e distribuição de riqueza , numa forma completamente oligárquica não dando contas a ninguém.

Nada disto é admissível num estado de direito , mas o que mais choca são autarquias ditas comunistas , que há décadas governam em maioria Câmaras nossas conhecidas que aplicam de forma exímnia estas técnicas ultra liberais que tanto critica , para consumo externo, o seu excelso líder.


Faltou únicamente analisar a situação quanto a mim mais iníqua de todas, quando se mistura ao caldo acima descrito , a chamada "habitação social" , como é o caso conhecido do Plano de Pormenor da Flôr da Mata (link) no Seixal.

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ULTIMA HORA !

30.07.2009 - 15h22
António Arnaldo Mesquita, (com Lusa) O ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa Carmona Rodrigues, e os vereadores Eduarda Napoleão e Fontão de Carvalho vão mesmo a julgamento no caso Bragaparques, decidiu hoje a juiza Filipa Valentim, do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa. O crime pelo qual vão responder é aquele pelo qual incidia a acusação, de prevaricação de titular de cargo público.

quinta-feira, julho 30, 2009

CORRUPÇÃO EM PORTUGAL (9)


Na OPS ! nº4 Maria José Morgado defendeu que « O sistema de licenciamento favorece associação à Corrupção» .

Reformar o sistema de planeamento, combatendo o “emaranhado de legislação” que dá poder aos técnicos, prevenir a corrupção e o abuso de poder sobretudo nas áreas críticas em que tais situações são susceptíveis de aparecer e introduzir no Código Penal português o crime contra o ordenamento do território, foram algumas das pistas apontadas por Maria José Morgado na comunicação intitulada “Urbanismo ilegal – uma justiça impossível”(...)

A Procuradora começou por recordar o enquadramento geral do sistema de ordenamento do território em Portugal, a começar pela lei de bases do ordenamento do território (Lei 48/98, de 11 de Agosto) (...)

Assim, no âmbito nacional, a lei de bases prevê o Programa Nacional da Política do Ordenamento do Território (PNPOT), da responsabilidade do Governo e que reveste a forma de Lei da Assembleia da República.

No âmbito regional, os instrumentos são os Planos Regionais de Ordenamento do Território (PROT), da responsabilidade das Comissões de Coordenação Regional e que revestem a forma de Resolução do Conselho de Ministros.

Finalmente, no âmbito municipal, podem existir planos intermunicipais, que envolvem municípios associados ou associações de município e são aprovados pelas respectivas assembleias municipais, e planos municipais, que envolvem apenas um município e são aprovados, por proposta da Câmara Municipal, pela Assembleia Municipal. (...)

Quanto aos Instrumentos de Gestão Municipal, a Procuradora destacou as figuras do plano director municipal (PDM), do plano de urbanização (PU) e do plano de pormenor (PP). O PDM, baseado na estratégia de desenvolvimento municipal, estabelece a estrutura espacial, a classificação básica do solo – rural ou urbano – e os parâmetros de ocupação, considera a implantação dos equipamentos sociais e desenvolve a qualificação dos solos, estabelecendo o respectivo uso e edificabilidade. O PU desenvolve em especial a qualificação do solo urbano. O PP define com detalhe o uso e a edificabilidade de qualquer área delimitada do território municipal. (...)

Áreas críticas no processo de ordenamento do território

Segundo Maria José Morgado, as principais áreas críticas no processo de ordenamento do território situam-se na legislação, no planeamento municipal e nos processos de edificação e fiscalização.

No âmbito do planeamento municipal, é na revisão dos PDM’s, na aprovação dos Planos de Urbanização (PU) e nos Planos de Pormenor (PP) que ocorrem situações que a Procuradora identificou como tráfico de influências (art. 335º do Código Penal), abuso de poder (art. 382º, CP), participação económica em negócio (art. 377º, CP) e corrupção (art.s 372º e 374º, CP ou 16º e 18º, Lei 34/87, de 16 de Julho).” Muitas vezes estas situações servem também o financiamento ilegal dos partidos, lembrou Maria José Morgado.

A utilização ilegal destes instrumentos de planeamento territorial surge, segundo a Procuradora, porque é nesta sede que se define a política dos solos quanto à sua classificação – rural ou urbano – e qualificação – uso e edificabilidade. Estas actividades delituosas envolvem os decisores camarários/políticos e os grandes promotores imobiliários.
(...)

Os ilícitos mais comuns identificados por Maria José Morgado neste tipo de actuação são:
abuso de poder (art. 382º, CP), participação económica em negócio (art. 377º, CP), prevaricação (art.11º, Lei 34/87 de 16 de Julho) e corrupção (art.s 372º e 374º, CP ou art.s 16º e 18º, Lei 34/87, de 16 de Julho)”.

Na área da fiscalização ocorre sobretudo, afirmou a oradora, a denominada “corruptela”: “paga-se ao fiscal para a obra não parar, não ser aplicada a coima ou não serem denunciadas desconformidades”. Muitas vezes “torna-se mais rentável para o prevaricador dar «qualquer coisita» ao fiscal”, disse ainda, “do que ver a obra embargada e ser alvo de uma coima”. Os intervenientes são sobretudo, segundo a Procuradora, “os fiscais e os técnicos responsáveis pelo acompanhamento dos projectos de arquitectura e especialidade”.


Os ilícitos mais comuns neste tipo de actuação são, de acordo com a comunicação de Maria José Morgado, “o abuso de poder (art. 382º, CP), a denegação de justiça (art. 369º, CP), a prevaricação (art. 369º, CP ou art. 11º, Lei 34/87, de 16 de Julho) e a corrupção (art.s 372º e 374º, CP ou art.s 16º e 18º, Lei 34/87, de 16 de Julho).
(...)
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ULTIMA HORA !

Fátima Felgueiras absolvida de todos os crimes no processo do futebol
30.07.2009 - 12h23 Lusa
O Tribunal de Felgueiras absolveu hoje Fátima Felgueiras de todos os crimes de que era acusada no denominado processo do futebol. A autarca estava acusada neste processo de sete crimes de participação económica em negócio e um de abuso de poderes sob a forma continuada. Havia, ainda, outros nove arguidos.

quarta-feira, julho 29, 2009

CORRUPÇÃO EM PORTUGAL (8)

Eugénio Meneses Sequeira escreveu na OPS nº 4 , excertos . Cito :

« Estamos a rever novamente todas as questões relacionadas com o Ordenamento do Território, sem rever a Lei de Bases do Ambiente e republicando a Lei de Bases do Ordenamento. De facto revimos já a Reserva Ecológica Nacional (REN), a Reserva Agrícola Nacional (RAN), a Classificação do Solo, propomo-nos rever a Lei dos Solos, estamos em revisão do “Regime Florestal” (chamando a esta revisão Código Florestal, mas revogando a Estratégia Florestal, as Leis do Regime Florestal e mais 24 diplomas legais).

Mais uma vez, quando em Portugal algo funciona mal, geralmente porque não se cumprem as leis, o que se faz não é estudar e emendar o que de errado está no comportamento individual e institucional: o que se faz é alterar a Lei. (...)

Quando temos um Governo que se diz Socialista, mas que ficará conhecido na história por decisões gravíssimas na área do Ambiente e da Agricultura, tal como ficaram:
  • A continuação do projecto do Alqueva com a provável degradação dos solos da água do Alentejo sem benefícios agrícolas sustentáveis.
  • A construção da Barragem do Sabor.
  • O Programa Nacional de Barragens com elevado Potencial Hidroeléctrico, com um fortíssimo impacto a longo prazo na conservação dos peixes dos nossos rios (põe em causa o compromisso europeu para salvaguarda da biodiversidade Countdown 2010, http://www.countdown2010.net), destruído zonas de enorme interesse ecológico, e com impactos mal avaliados no incremento da erosão costeira, na emissão de metano, e na riqueza piscícola da costa portuguesa.
  • A alteração do local do novo Aeroporto de Lisboa, com a destruição da nossa melhor zona de produção de hortícolas etc., a destruição de sobreiros, a impermeabilização daqueles solos.
  • A falta de estratégia para o espaço rural, apostando nas grandes obras e na intensificação agrícola, causadora de enormes danos ambientais quando a Europa aposta na Agricultura Racional e amiga do Ambiente, na Agricultura de precisão, na agricultura com protecção integrada, biológica e na agricultura extensiva.

O que mais choca neste Governo PS é apostar na solução imediata e simples dos problemas da crise – emprego vindo das grandes obras, crescimento económico a todo o custo, aumento do emprego (deveria dizer menor desemprego) mesmo que saiba que a médio longo prazo iremos pagar demasiado caro este afã.

O que também choca neste Governo é falar a linguagem da Conservação da Diversidade Biológica, quando sabe sobejamente que as políticas que adoptou só irão agravar o problema. É o doublespeak orwelliano no seu melhor: proclamar a intenção de fazer algo, e realizar justamente o seu oposto.

O que choca é escutar este executivo falar em energias renováveis e cumprimento do protocolo de Quioto, quando em verdade continua a apostar no transporte rodoviário em vez do ferroviário, enquanto continua a apostar na construção de um novo e colossal aeroporto quando se sabe que o número de viagens está e irá continuar a diminuir visto que a internalização dos custos das emissões e o preço do petróleo subirá a prazo.

Por fim o que mais me choca, enquanto cidadão ambientalista e socialista, é o Governo do meu partido continuar a falar de ordenamento do território quando ao manipular a péssima legislação urbanística que temos, sinistra na suas omissões sobre a economia imobiliária, mais não faz do que distribuir mais-valias urbanísticas por quem entende. Vide os PIN, Projectos de Interesse Nacional.

Quando se debate a questão da corrupção em geral e a modalidade mais importante deste fenómeno entre nós não é debatida — a corrupção urbanística —; quando o nosso partido recebe, ou parece ter recebido apoio financeiro de promotores imobiliários; quando as medidas de política continuam em período de crise a fomentar a construção de mais habitação quando muita da que já existe permanece devoluta (e já chega para albergar mais de 2 milhões de portugueses) ...(...)

Ao dedicar determinados espaços para determinados fins (ecossistemas), para conseguir determinados objectivos, o Ordenamento corresponde à tradução espacial das políticas económicas, sociais e ambientais. Considerando que essa decisão (gestão do território) é ética, isto é, que obedece ao corpo de princípios ou valores que governam a sociedade e que distinguem o bem do mal, considerando que as decisões da Sociedade visam a satisfação das necessidades dessa mesma Sociedade e condenam a apropriação privada de bens e de património que são propriedades de todos, o ordenamento do território deve ter como Objectivo a distribuição equitativa da riqueza, portanto, a distribuição das externalidades, quer positivas quer negativas, visando a satisfação das necessidades do homem, agora e no futuro (alínea e) do artº 5º da Lei 48/98 de 11 de Agosto.

Porque hão de alguns arrecadar as mais-valias resultantes de uma valorização da valor do terreno em mais de 100 000% e outros perderem os Serviços ambientais e arrecadarem os riscos (cheias, erosão costeira, desertificação, perda de biodiversidade, destruição da paisagem, etc.).

Então é inaceitável que os Socialistas não encabecem o debate desta questão central do nosso sistema democrático, que se eliminada resolveria muito provavelmente os grandes problemas e a tentação das decisões imediatistas e insustentáveis a que temos assistido.
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terça-feira, julho 28, 2009

CORRUPÇÃO EM PORTUGAL (7)


No OPS ! A Arquitecta Helena Roseta escreve sobre "Especulação e Democracia" (link) , cito (excertos) :

1. Moeda e cidade, escreveu Fernand Braudel, são os dois principais multiplicadores do capitalismo. O mercado financeiro e o imobiliário andam sempre juntos. (...)

Uma das causas imediatas do colapso financeiro cujas consequências catastróficas estamos a sofrer residiu, como sabemos, no mercado de hipotecas nos EUA. Está à vista o resultado desastroso (...)

2. O capital pode multiplicar-se indefinidamente. Mas enquanto novos produtos virtuais ampliam constantemente os circuitos financeiros, com o território, que não é infinito nem pode crescer ilimitadamente, o processo é outro. A concentração urbana associada à concentração financeira altera a forma física das cidades e produz situações de poluição e saturação que em certos casos atingem todo o planeta.


3. Em Portugal, durante décadas, os poderes públicos demitiram-se de fazer cidade. O território foi entregue aos loteamentos particulares, que cresceram nos terrenos livres à volta das cidades ou perto de novas acessibilidades. O nosso país está cheio de “urbanizações sem urbanismo”, resultado do livre jogo do mercado de solos, loteados legal ou clandestinamente, quase sempre na ausência ou contrariando instrumentos de ordenamento do território de escala mais geral. Só na década de 90 se generalizou a cobertura do país por Planos Directores Municipais (PDM), mas sem que nenhum instrumento forte de política de solos lhes fosse associado.

Uma análise das formas urbanas que assim surgiram em todo o país mostra que, em matéria de espaços públicos e de implantação dos edifícios, não são muito grandes as diferenças entre as urbanizações legais e as clandestinas.

Apesar de se dirigirem a faixas distintas do mercado habitacional, umas e outras obedeceram à regra da maximização do lucro, descurando a mistura de funções que separa a cidade tradicional das “fast-cities” onde só se vai para dormir. Aparecem no território sem qualquer respeito pelos valores paisagísticos, ocupando integralmente os limites da propriedade “urbanizada” que lhes deu origem. Não se articulam com o território à sua volta nem com a cidade existente. Os novos modelos de condomínio fechado prosseguem a mesma lógica. Há maior cuidado com o espaço exterior, mas ele é todo privatizado, fazendo desse segmento do mercado, destinado às classes mais altas, uma espécie de “guetos inversos”. (...)

3. Ao fim de muitos anos de contacto com a actividade urbanística e autárquica em Portugal, chego à conclusão de que os planos têm servido, sobretudo, para reforçar os mecanismos ultra-liberais da economia de mercado. É para valorizar terrenos que se continuam a fazer planos. (...)

Mas o mercado de solos é um mercado escasso. Não é possível expandi-lo ilimitadamente, sob pena de desastre ecológico. O ambiente, a paisagem e o património cultural são valores colectivos que nem sequer pertencem a uma só geração. Uma vez destruídos, são irrecuperáveis.


4. São as autarquias que detêm o poder de licenciamento, que é no fundo um poder equivalente ao da emissão de moeda. De cada vez que se autoriza uma dada quantidade de metros quadrados de construção, está-se a emitir moeda. É este o grande instrumento do chamado “lóbi do betão”, que talvez devesse chamar-se antes “lóbi do cifrão”, porque é disso que se trata. Estes metros quadrados de construção, muito antes de se transformarem em qualquer coisa de físico e visível, são transaccionados e multiplicados, mobilizando o sector financeiro e parafinanceiro.

5. (...) É nos Planos Directores Municipais (PDM) que se estabelece a distinção entre solos rústicos e solos urbanos ou urbanizáveis. A diferença não é só de nome, é de valor. Os solos urbanos ou urbanizáveis valem muitas vezes mais do que os rústicos, precisamente porque neles actua a tal “nova moeda”
(...)

6. 6. O que rende milhões não é tanto, como vulgarmente se pensa, a construção civil, que é a fase final e visível do processo, mas sim a transformação do solo, que resulta de três vias: a classificação de um solo rústico como urbano ou urbanizável; a mudança de usos (uma zona verde que passa a ser para habitação, um espaço de equipamentos que é transformado em escritórios, uma praça pública que se “privatiza” para um centro comercial, etc.); e o aumento dos índices de ocupação muito para lá do razoável, através do aumento do número de pisos ou da volumetria. São estes os três caminhos que pressionam os decisores e os técnicos e que constituem o dia-a-dia da gestão urbanística nas autarquias. (...)

7. Em apenas 15 anos, o “território artificializado”, ou seja, o território rústico que foi construído (e que inclui tecido urbano, transportes, grandes equipamentos industriais e comerciais e áreas ainda em construção) cresceu 42,2 por cento em Portugal continental, num total de cerca de 70 mil hectares. O aumento fez-se à custa dos outros usos: perderam-se 21 mil hectares de floresta, 33 mil de solo agrícola, 12 mil de solos agrícolas com áreas naturais e 4 mil de vegetação natural.


8. Compreendemos melhor agora onde está o grande poder das autarquias, dos directores de urbanismo, das entidades públicas. É aqui que tem de ser feito um grande esforço para combater promiscuidades, melhorar a lei e aumentar o escrutínio democrático e mediático (...)

É por aqui que tem de passar o combate à corrupção. Uma forma de corrupção que se faz muitas vezes pela calada, no sossego dos gabinetes, sem escândalos mediáticos e sem conhecimento do público. Só quando tudo aparece construído (o que pode levar anos ou décadas) é que os cidadãos percebem que algo está mal. Mas nessa altura os erros são irrecuperáveis e os seus beneficiários já deram à sola.

9. Que fazer, então?

É preciso aumentar a consciência social sobre o abuso urbanístico. O nosso território e as nossas cidades são bens inestimáveis que temos de legar às gerações seguintes sem delapidação. Temos de combater um modelo de crescimento urbano que se alimenta da desregulação e da apropriação privada das mais-valias urbanísticas.

O Estado e as autarquias têm de voltar a assumir um papel regulador e urbanizador que nunca devia ter saído da esfera pública. “Fazer cidade” tem de ser obra colectiva e não privilégio de alguns.

É urgente aumentar o escrutínio dos cidadãos, defendendo aquilo a que chamo “urbanismo participativo” e que passa pela transparência das decisões administrativas e autárquicas e pelo acesso on-line à informação urbanística e cadastral.


segunda-feira, julho 27, 2009

CORRUPÇÃO EM PORTUGAL (6)


Revista OPS , José Carlos Guinote escreve sobre Corrupção e Urbanismo , cito :

« Nenhuma reflexão sobre a ligação entre a corrupção e o urbanismo poderá ser feita sem nos debruçarmos sobre os mecanismos de geração das mais-valias simples e da sua captura e sobre os comportamentos dos agentes promotores das mudanças necessárias para elas se concretizarem. (...)

No âmbito das suas competências constitucionais em matéria de urbanismo, o Estado toma decisões, sobretudo associadas à classificação e consequente mudança de uso dos solos, que permitem uma valorização brutal dos terrenos por elas abrangidos. Estamos a falar de solos rústicos que são classificados como urbanos sofrendo valorizações de centenas de vezes ou mesmo milhares de vezes o seu valor inicial. É essa valorização que estimula, como já escrevi, “a cada vez maior pressão dos usos urbanos sobre os terrenos rústicos e, em consequência, a pressão dos promotores sobre aqueles que, na Administração, têm o poder para decidir as indispensáveis mudanças de uso. (…)”. (1)

Os agentes das mudanças de uso do solo e os seus comportamentos não podem ser ignorados, em particular os agentes catalizadores e os agentes permissivos. Entre os primeiros identifico aqueles que mais lucram com a especulação imobiliária e a transformação dos terrenos rústicos em terrenos urbanizáveis. É o caso dos bancos, das grandes empresas imobiliárias, dos fundos de investimento, das seguradoras e de instituições dotadas de grande capacidade financeira. A sua capacidade financeira e uma aguda consciência do valor das mais-valias em jogo permitem-lhes actuar a médio e longo prazo pressionando tenaz e demoradamente as decisões da Administração.

Quanto aos agentes permissivos, eles são sobretudo as autarquias e os governos. Quem é que nunca escutou as declarações entusiásticas dos autarcas abrangidos pelos chamados investimentos estruturantes?

Tomam a peito a sua função de agentes permissivos e clamam alto e bom som que o desenvolvimento, seja lá isso o que for, pode estar em causa se os processos não avançarem. Na última legislatura viram os seus clamores compensados com a criação dos famigerados PIN (Projectos de Interesse Nacional).

A propósito, a crise financeira internacional veio ou não mostrar como não passa de uma miragem um modelo de desenvolvimento local apoiado na promoção imobiliária elitista e nesse tipo de desregulamentação das regras do urbanismo?

Os PIN são, apenas e só, o reconhecimento de que o país tem duas políticas urbanísticas para a mesma parte do território: uma para os cidadãos comuns, arrogantemente implacável e restritiva para a mais comezinha melhoria das condições de habitabilidade, e outra para os promotores dotados de elevada capacidade financeira, que permite a ultrapassagem de todas as restrições impostas pelas políticas públicas de conservação da natureza ou pela simples legislação urbanística, tout court.

Da mesma forma, não existe a mais pequena hipótese de se travar a forte relação entre urbanismo e corrupção na sociedade portuguesa se não promovermos as mudanças necessárias no sentido da socialização das mais-valias urbanísticas geradas pelo processo de desenvolvimento urbano (...)

O nosso modelo de desenvolvimento urbano continuará a ser dominado pelos interesses dos promotores privados, que encaram a cidade como um negócio e os cidadãos apenas e só como consumidores. (...)

Continuaremos a ter, a par de uma segregação espacial das populações organizada segundo a sua capacidade financeira, – a expulsão de 300 mil habitantes de Lisboa para a periferia em menos de 30 anos é disso o mais radical testemunho – mais de 700 mil famílias a viverem em condições de alojamento verdadeiramente indignas e um crescente endividamento dos portugueses por força da única forma de acesso à habitação de que dispõem: a sua aquisição com recurso a crédito bancário. (...)

A socialização das mais-valias é pois o elemento central da mudança política a levar a cabo para desatar o nó que liga actualmente a corrupção ao urbanismo, garantindo ao mesmo tempo um melhor ordenamento do território e uma vida urbana mais justa, mais democrática, mais plural, com cidades mais humanizadas. (...) »

domingo, julho 26, 2009

CORRUPÇÃO EM PORTUGAL (5)


Revista OPS! Pedro Bingre assina o texto "A Bolha imobiliáriaa e as duas faces da mesma (falsa) moeda " (continuação) , cito:

«
Por força da bolha imobiliária dos últimos vinte anos, as poucas dezenas de milhar de indivíduos que controlam esse sector, mancomunados com uma poderosa rede de governantes, legisladores, autarcas e funcionários públicos, locupletaram-se açambarcando centenas de milhares de fogos habitacionais e revendendo-os mais tarde a preços especulativos produzidos sob o beneplácito de uma legislação oportunista, e ainda graças à manipulação política de alvarás urbanísticos e de planos de ordenamento do território.(...)

Quando uma sociedade inteira começa a percepcionar a acumulação de riqueza não como uma recompensa do trabalho ou do empreendedorismo, mas como o resultado de favores político-administrativos que transferem dinheiros que deveriam ser públicos para os bolsos de uns poucos privados, estabelece-se uma degradação da moral pública que asfixia o mérito e a produtividade.

De Portugal (...) nas últimas décadas, o caminho mais eficaz para o enriquecimento pessoal tem sido, além da especulação com fogos habitacionais, a apropriação privada de rendas (mais-valias) urbanísticas: por isso, quem controla a emissão de alvarás de loteamento controla as fortunas e o destino do país — com efeito, reina sobre os portugueses quem gozar o poder de alterar ou suspender Planos Directores Municipais (PDM), de desafectar terrenos à Reserva Ecológica Nacional (REN) ou à Reserva Agrícola Nacional (RAN), ou de autorizar urbanizações de “Potencial Interesse Nacional” (PIN). (...)

Quem controla esta produção e distribuição de mais-valias urbanísticas tem nas mãos o verdadeiro poder político e económico de Portugal, e goza privilegiadamente das suas riquezas. Tudo o resto — incluindo os rendimentos da indústria, da agricultura e dos serviços, enfim, da genuína produção — são bagatelas comparadas com o valor dos alvarás urbanísticos nos anos de bolha imobiliária. Não surpreende que a maioria dos escândalos de corrupção recentes surgidos no nosso país tenham por pano de fundo alterações a planos de ordenamento do território, sempre envolvendo novas permissões para lotear ou urbanizar.


A retenção pública das mais-valias urbanísticas deveria ser feita interditando-se o loteamento particular de terrenos privados, como é de regra nos países mais desenvolvidos e, diga-se de passagem, se praticou também em Portugal até 1965. Deveria competir unicamente à administração pública adquirir terrenos rústicos a preço rústico, fraccioná-los em lotes edificáveis segundo bons projectos urbanísticos, e oferecê-los em hasta pública. Assim se conseguiria não só criar condições para desenhar novos e bem concebidos bairros sem o sufoco de pressões especulativas, como também se obteria uma concorrência perfeita entre construtores civis ao quebrar-se o controlo dos loteadores privados sob a qualidade da construção.

A concretização política destas reformas, aparentemente simples de um ponto de vista técnico, não será fácil. Nas autarquias, nos órgãos de soberania, no tecido empresarial do país, existem inúmeros protagonistas cuja ascensão ao poder tanto político como económico resultou das oportunidades de enriquecimento a expensas de alvarás urbanísticos.

Rebentada a bolha imobiliária, a fonte das suas riquezas secou; mas o seu poder político mantém-se. Se, durante as décadas de despautério imobiliário não souberam fazer melhor do que promover o caos urbanístico aprovando loteamentos em terrenos de aliados seus, ao mesmo tempo que fechavam os olhos ao endividamento nacional que sustentava as fortunas que criaram a dedo, dificilmente serão eles a encontrar solução para o problema em que a sua ganância nos lançou.

Quem sacrificou Portugal à corrupção urbanística não pode salvar o país da miséria que ela trouxe.

sábado, julho 25, 2009

CORRUPÇÃO EM PORTUGAL (4)


Revista OPS! Pedro Bingre assina o texto "A Bolha imobiliáriaa e as duas faces da mesma (falsa) moeda " (continuação) , cito:

« (...) O panorama do parque residencial português acusa as patologias do anti-mercado imobiliário.

Mesmo havendo uma superabundância de habitações novas e vazias, os portugueses sofrem dificuldades escusadas para adquiri-las: se tivessem de pagar pela sua casa apenas o seu custo de construção (incluindo este o lucro do construtor, mas excluindo a mais-valia do especulador) não despenderiam mais de 15% do seu orçamento familiar anual em habitação; mas dado que o preço é na prática marcado unilateralmente pelos ofertantes muito acima daquele custo, são forçados — pois não têm outra alternativa — a despender em torno dos 45% ou mais dos seus rendimentos. Interpretando politicamente esta situação, pode dizer-se que 1/3 do proventos familiares dos portugueses são capturados todos os anos por um verdadeiro “imposto revolucionário” encapotado sob a forma de hipoteca, cujos beneficiários são uma minoria de oligopolistas imobiliários — sobretudo loteadores de terrenos.


Os números falam por si. Num mercado imobiliário tutelado por uma política de solos progressiva, um terreno agrícola não apresenta preços superiores ao valor à perpetuidade das rendas agrícolas (1), mesmo que se situe nas cercanias de grandes cidades.

Se em Portugal vigorasse uma política assim (como vigorou, diga-se de passagem, até 1965), nenhum dos nossos terrenos rústicos perirurbanos deveria estar cotado a preços superiores a 20.000 € por hectare; isto porque acima destes preços as rendas da actividade agrícola são incapazes de amortizar a compra do solo.

Porém, se esse mesmo terreno se situar num local sob procura imobiliária e lhe for concedido alvará de loteamento, o seu preço atingirá valores muito mais elevados, tanto maiores quando mais acentuados os índices urbanísticos concedidos: nos subúrbios de Setúbal, Lisboa, Coimbra ou Porto, um hectare inculto e sem infra-estruturas pode ser facilmente revendido a preços entre os 500.000 € e os 10.000.000 € por hectare, consoante licenciado para a construção de moradias ou de apartamentos. (...)

A legislação urbanística portuguesa de hoje em dia (...) , é uma verdadeira obra-prima da corrupção sistemática do aparelho do Estado e das Autarquias. Pode dizer-se que um especulador não teria escrito melhores leis para si mesmo.

Desde que foi publicado o Decreto-Lei n.º46/673, fazendo da privatização de loteamentos e mais-valias urbanísticas o estribo da política nacional de solos (
2), uma minoria de políticos e funcionários públicos que controlam a emissão de alvarás urbanísticos e a revisão de planos de ordenamento detêm o poder quase soberano de redistribuir a riqueza nacional em favor de quem lhes aprouver, sem necessidade de prestarem quaisquer contas perante os restantes cidadãos. A perspectiva de conquistar essas “fortunas trazidas pelo vento” (3) a que se chama mais-valias urbanísticas (4) graças ao controlo de certos cargos políticos e administrativos atrai para a vida partidária não poucos oportunistas ansiosos por sobraçar pastas e pelouros ligados ao urbanismo.

Quem paga este jogo? Quem ganha com ele?


Quando uma família compra um apartamento novo nos subúrbios de Lisboa pagando 150.000 €, sendo o respectivo custo de construção inferior a 50.000 € incluídos os lucros do construtor, importa perguntar: quem embolsou os restantes 100.000 €, que mais não são do que mais-valias urbanísticas?

Extrapolando para todo o edifício: quando vinte famílias pagam 3.000.000 € por um conjunto de apartamentos que mais não custou a construir do que 1.000.000 €, quem embolsou dois milhões de euros em mais-valias urbanísticas criadas por uma decisão urbanística pública?


Extrapolando para um hectare com, suponhamos, quatro desses edifícios: quem foi o afortunado que recebeu oito milhões por nenhum outro motivo senão o ser agraciado com um alvará?» (continua)