terça-feira, junho 02, 2009

"UM NOVO CICLO PARA O PODER LOCAL" (1)


O título deste post é o título de um artigo publicado este Domingo, no DN ,pelo professor Fonseca Ferreita, presidente da CCDR-LVT , a entidade que "tutela" o ordenamento territorial na região de Lisboa e Vale do Tejo ... já lá vão alguns anos...

Acontece que nos últimos anos, pelo desrespeito visível pelo ordenamento do território por parte das autarquias dessta região, não sentimos aí, o crivo final da CCDR-LVT até, porque continua a assinar de cruz , alterações grosseiras aos PDM's ou Planos de Pormemor , mesmo os mais absurdos que acabaram por cingrar graças à assinatura de Fonseca Ferreira.


Só que o Senhor Director Fonseca Ferreira parece ter subitamente tido um rebate de consciência , por meio do referido artigo onde parece corroborar o que há muito aqui alertamos, para o atingir, há muito , do Príncípio de Peter por parte da grande maioria dos nossos autarcas. E passo a citar Fonseca Ferreira:

«Trinta e cinco anos após o 25 de Abril, o poder local democrático encontra-se numa encruzilhada. Após décadas de um contributo decisivo para a infra-estruturação e o equipamento do território, as autarquias e os autarcas parecem ter-se esgotado e "viciado" na obra fisica, demonstrando dificuldade em enfrentar as novas exigências do País : o ciclo da inovação, da competividade e dos apoios sociais. (...)

É certo que foram cometidos excessos durante este processo de aprendizagem democrática e de gestão, disso é exemplo o mimetismo que leva à duplicação de equipamentos e ao desperdício de recursos. Mas não se errou e desperdiçou mais nas autarquias do que na administração centrsl.


O Exagero de equipamentos está, por outro lado, ligado á divisão administrativa do País, demasiado fragmentada, a exigir uma profunda reforma, e à instituição das reformas politico administrativas, com papel fundamental na racionalização dos investimentos.

O novo ciclo do poder local requer outra visão do ordenamento do território, focada no médio e no longo prazo, o reforço da dimensão intermunicipal e novas prioridades : a educação, o apoio à envolvente das actividades económicas e empresariais, a inovação e tecnologia, a qualificação e eficiência e os apoios sociais.


São estes os pilares da sociedade do conhecimento globalizada que já não se coompadece com velhas tradições, por mais importantes que elas tenham sido na construção do nosso Portugal democrático » (continua)

segunda-feira, junho 01, 2009

O BURACO NEGRO



«A corrupção não acaba nem com mezinhas nem com rezas. Aceito a culpa que os magistrados têm, mas muitas vezes estamos de mãos atadas perante a lei." Maria José Morgado, procuradora-geral adjunta, falava ontem durante uma conferência organizada pelo Instituto de Estudos Eleitorais da Universidade Lusófona, no Porto.

A procuradora criticou a falta de enquadramento penal para os crimes cometidos ao nível do urbanismo, o que classificou como sendo o "buraco da Democracia".

"O urbanismo é uma área de enriquecimento ilícito incontrolável. Pergunto-me porque é que nunca ninguém deu atenção à protecção penal do ordenamento do território", afirmou a procuradora.

Maria José Morgado afirmou ainda que "a corrupção é o imposto mais caro que os portugueses pagam". A procuradora recusou-se a falar de casos concretos, quando questionada pela plateia sobre os casos de Mesquita Machado e Fátima Felgueiras. No entanto, não deixou de concordar que existe uma troca de favores e que "há ainda quem continue a usar as suas funções para ganhar dinheiro".

Maria José Morgado referiu ainda o sentimento de impunidade de que as instituições usufruem. "Um traficante sabe que pode ser preso, mas as instituições sentem-se impunes face à corrupção", afirmou.

SISTEMA PENAL MUITO COMPLEXO

Durante a conferência de ontem na Universidade Lusófona do Porto a procuradora-geral adjunta afirmou que o sistema penal português é muito complexo, traduzindo-se em julgamentos muito morosos.

"Temos ferramentas da Idade da Pedra. Toda a fase de recolha de provas é debatida com o arguido. Os julgamentos demoram anos e muitas vezes os processos acabam por prescrever", afirmou.

Maria José Morgado salientou ainda que a única solução é continuar a denunciar os casos de corrupção.

"Denunciar, denunciar... É o que devemos fazer", considerou.

A procuradora explicou ainda que vai chegar o dia em que denunciar não vai ser suficiente e que será necessário "criar riscos para quem pisa o risco" .»

Ana Isabel Fonseca-Correio da Manhã 31/05/09

sexta-feira, maio 29, 2009

FARSA 3



Já percebi , nesta conferência a autarquia de Almada funciona como o modelo a não seguir .

- A não seguir no modelo urbano.

- A não seguir na forma como não aproveita energias alternativas renováveis nos edifícios camarários.

- A não seguir na forma como introduziu um novo meio de transporte, o Metro, num meio urbano já construído.


- A não seguir na forma como concebeu e impôs um modelo único de zona pedonal.


- A não seguir na forma como aborda as ciclovias e o uso da bicicleta.

- A não seguir na forma como escorraçou o automóvel do centro da cidade e persegue os automobilistas e os residentes proprietários de viaturas.

- A não seguir na forma como criou alternativas para o trânsito automóvel para zonas secundárias da cidade.

- A não seguir na forma como aniquilou o Comércio Tradicional e promove uma grande superfície fora da cidade, desertificando o centro da cidade.

- A não seguir na forma como trata as suas mais valias ambientais e zonas protegidas.

- A não seguir na forma como gere os seus valores turisticos e culturais.

-
A não seguir na forma como trata os cidadãos.

- A não seguir, no valor cobrado aos cidadãos para participarem nesta conferência, ou melhor, para não participarem ...

quinta-feira, maio 28, 2009

FARSA 2


Como é que um município que não segue os principios básicos da Agenda XXI local se pode armar em bandeira do que alarda, para ser sede do Congresso Roteiro Local para as Alterações Climáticas , a menos que esta iniciativa sirva para a autarquia finalmente vir a adoptar o impossível, ou seja, a postura inversa da seguida nos últimos 35 anos, o que me parece impossível com este elenco autárquico.


Mas o que é a Agenda XXI Local ?

- « Agenda 21 Local é um processo através do qual as autoridades locais trabalham em parceria com os vários sectores da comunidade na elaboração de um Plano de Acção por forma a implementar a sustent
abilidade ao nível local. Trata-se de uma estratégia integrada, consistente, que procura o bem-estar social melhorando a qualidade do ambiente.»

Ora , diálogo e consensos é coisa que não existe na verdadeira Ditadura em exibição há quase tanto tempo como reinou a Ditadura Fascista .

O que há é uma verdadeira farsa, montada com recurso a uma máquina de propaganda monstruosa e sorvedora de recursos , recorrendo abusivamente de massivos spots na televisão e a meios de propaganda próprios .

Relembre-se toda a novela do Metro Sul do Tejo , e a manipulação feita sobre a progressão (e atraso) das obras , os percursos escolhidos, nomeadamente na zona da Ramalha para se ver como até uma obra potencialmente estruturante se tornou exactamente no oposto do que é preconizado na Agenda XXI Local ou no combate às emissões de CO2 , pois que se obrigou o trânsito automóvel a percursos mais longos e gastos acrescidos até na procura de estacionamentos.

Por outro lado matou-se o comércio de proximidade e compulsivamente se conduziu a população para um mega centro Comercial fora da cidade , por um lado ocupando área verde e por outro obrigando ao uso quase que exclusivo do automóvel .

Tudo politicas contrárias a uma ideia de sustentabilidade, de ambiente ou de combate às alterações climáticas.

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Se dúvida houvesse sobre as preocupações da CMA em divulgar e debater estas questões com os cidadãos, envolvendo a comunidade, com uma especial atenção aos desempregados e outros que se interessando por estes temas atravessam grandes dificuldades, veja-se o preçário para participar:

Custos de Inscrição:

Normal - 200 Euros
Municípios, Agências de Energia e Sócios da Associação Nacional de Engenheiros Técnicos; Associação Portuguesa de Engenheiros do Ambiente; Ordem dos Arquitectos e Ordem dos Engenheiros - 100 Euros
Estudantes - 75 Euros

Nem mais DUZENTOS EUROS !!! Meio salário mínimo !!!

SETENTA E CINCO EUROS para estudantes !!!

Palavras para quê... continuamos a ser um país de doutores , engenheiros e funcionários autárquicos , o resto é paisagem, aliás, o resto é indesejável ...a não ser para ír votar... e depois preocupam-se com a abstenção !!!

Se esta conferência é só para uma elite , porquê os spots na TV, os outdoors e tanta propaganda subliminar ?


quarta-feira, maio 27, 2009

FARSA


Ver a Câmara de Almada organizar uma conferência sobre Alterações Climáticas , é como ver Hugo Chavez organizar um seminário sobre liberdade de imprensa, ou o governo Norte Coreano organizar uma manifestação pelos direitos humanos e liberdades civícas.

Este elenco autárquico é o principal e único responsável local por uma politica que é exactamente o oposto de uma linha de desenvolvimento digna desse nome , e sobretudo um Desenvolvimento Sustentável .

Muito menos a politica posta em prática nos últimos 35 anos , transforma Almada em exemplo seja do que fôr e muito menos de “Roteiro Local para as Alterações Climáticas: Mobilizar, Planear e Agir”, que é o tema desta conferência.


Vai ser sim, mais uma operação de lavagem de imagem de uma gestão negra em termos ambientais - e sociais - que acarretará para as futuras gerações uma herança difícil de gerir . (continua)

terça-feira, maio 26, 2009

A NOVA REFORMA AGRÁRIA



Jerónimo de Sousa reiterou em entrevista à SIC (clique) , a defesa que o PCP faz de uma redistribuição da terra em Portugal.


Andam aqui resquícios de um PREC mal digerido , ou memórias de planos quinquenais ou campanhas do trigo.
Só que os portugueses não se esqueceram do desastre económico e ambiental da Reforma Agrária do PCP em 1975 no Alentejo.


Os Alentejanos e os portugueses não esqueceram o oportunismo de alguns ditos comunistas , os parques de tractores URSUS e BELARUS abandonados para apodrecer, quase novos, por mau uso e por não haver peças de substituição , as ocupações de propriedades produtivas que caíram, por impreparação dos seus novos donos , na desertificação ,ou as famílias destroçadas por ingerência doutrinária do PCP.


Mas caro senhor Jerónimo de Sousa, porque não começar essa redistribuição de terras nos municípios da margem Sul que estão na sua maioria nas mãos do PCP há 35 anos ?

Porque não utilizar terrenos camarários para a instalação de hortas populares , em vez das mesmas servirem para acertos com o grande capital do imobiliário ?


Porque não utilizar o apregoado superávit de algumas destas autarquias , para fomentar a livre iniciativa, com apoios de microcrédito , em vez de contraírem essas autarquias empréstimos bancários que como o senhor refere, só engorda o grande capital da Banca e os seus lucros astronómicos?


Porque não instalar familias carenciadas nos milhares de fogos à venda , sem comprador há largos meses ou anos, depois de licitados em leilão ou em concurso pela autarquia , em vez de continuarem com projectos de construção de mais e novos guetos em ajuste directo por meio de protocolo assinado com empresas offshore?

Porquê alterar os PDM´s das autarquias da Margem Sul, feitos por vós há pouco mais de dez anos e com uma filosofia de protecção ambiental, para novos PDM´s amigos do Betão e do alcatrão, quando hoje , mais que nunca, se torna fundamental proteger esses valores ambientais ?

Porque não redestribuír a Quinta da Atalaia pelo Povo?

Pois é Senhor Jerónimo ... é só na terra dos outros... tanta contradição numa entrevista de 30 minutos ! O que vale é que já ninguém o ouve.

segunda-feira, maio 25, 2009

MICRO ROTUNDA, MACRO INCOMPETÊNCIA!



Palavras para quê ? Nós por cá... bem sabemos o que a casa gasta !!!

Algo me faz crer que este programa voltará muitas vezes a este concelho ...

domingo, maio 24, 2009

A PROPÓSITO DA BELA VISTA (3)



« (...) No fundo , a Bela Vista e muitas outras urbes similares são produto e consequência de uma tormentosa acumulação de erros.


Entre muitos outros, há a destacar os seguintes : organização espacial, planeamento urbano, inserção e reinserção de minirias e franjas desfavorecidas, desinvestimento cultural e planificação social.

À semelhança da arquitectura, que promove o encaixotamento humano, centenas de famílias desenraizadas foram ali colocadas sem contexto, criando um pequeno grande gueto sem identidade mas com códigos e cultura próprios.

Estigmatizados ao longo dos tempos, assumindo a chancela de "um mundo à parte" ou "terra de ninguém" , a Bela Vista foi misturando o seu caldo de cultura em função de lógicas de sobrevivência e de retaliação. (...)

O estigma avolumou-se, as diferenças acentuaram-se e a tragédia irrompeu.

Agora é preciso tratar os despojos e acautelar o futuro próximo.

E essa é uma tarefa de todos e deve começar de imediato.»

Raul Tavares (Jornal da Região 16/5/09 - Editorial)
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Ao longo dos últimos três dias vimos aqui três artigos de opinião, de três jornais e de três autores diferentes. Todos eles , observadores independentes, diagnosticam os mesmos males, os mesmos erros.

Será que o Poder Central e Local , o Ministério da Habitação, do Ambiente, a Procuradoria Geral da República , a Provedoria de Justiça , as CCDR's , o Tribunal de Contas vão continuar a assinar de cruz estes projectos patrocinados pelas "autarquias" , quando muitos deles, como é o caso da Flôr da Mata , Pinhal dos Frades no Seixal, são acima de tudo , um caso de polícia, mais que de politica ... e muito menos de habitação?

sábado, maio 23, 2009

A PROPÓSITO DA BELA VISTA (2)



O bairro da Bela Vista esteve a ferro e fogo e toda a gente decidiu dar palpites. Existem duas escolas de ‘pensamento’. A primeira pede mais inclusão e diz que a culpa é da pobreza. A segunda pede mais repressão e diz que a culpa é dos delinquentes.


Eu, modestamente, peço mais reclusão e digo que a culpa é do Estado: ao enxotar os mais pobres para guetos imundos, longe dos centros de ‘socialização’, e ao sustentar vidas de indolência e irresponsabilidade familiar, o Estado apenas criou o monstro que agora se volta contra ele.

A Bela Vista é um problema de pobreza, sim, mas de pobreza moral, ou até espiritual, promovida pelo paternalismo abjecto do Estado.

Depois de enfiar os criminosos na cadeia, seria aconselhável que as políticas sociais de sucessivos governos também não ficassem por aí à solta.


João Pereira Coutinho (Correio da Manhã)

sexta-feira, maio 22, 2009

A PROPÓSITO DA BELA VISTA (1)



O Bairro da Bela Vista nunca devia ter existido e os recentes distúrbios de Setúbal são uma bela vista das políticas dos últimos 30 anos. [...]

Os responsáveis são todos os irresponsáveis que propiciaram o surgimento deste tipo de delinquência. E os responsáveis são muitos e vêm de longa data: autarcas, educadores, urbanistas, ministros vários, desde os da educação, da justiça, da administração interna, até aos da defesa… [...]

A polícia pode resolver este caso mas nunca ela poderá resolver o problema. Resolver o problema passaria por reconhecer os erros que os políticos que têm estado no poder não reconhecem. Seria exigir o impossível.

O Bairro da Bela Vista é, de facto, uma bela vista sobre a nossa sociedade.

Luís Campos e Cunha in Público, de 15 de Maio de 2009

quinta-feira, maio 21, 2009

GOOGLE ALMADA


A GOOGLE anda com uma viatura a fotografar as ruas de Almada. Trata-se de uma iniciativa que visa uma nova utilidade do GOOLE EARTH e que permite caminhar virtualmente pelas ruas de uma cidade.

Será um levantamento fantástico do presente e que servirá de base de comparação e entendimento para o futuro e para o julgamento que as futuras gerações farão de quem hoje toma decisões que põem em causa esse seu presente.

Mas já hoje, por exemplo, um qualquer europeu já pode viajar por inúmeras cidades e , em breve poderá viajar - virtual e radicalmente - num centro pedonal onde passam combóios em duas vias , a mais de 6o Km hora , onde se gastam milhões em propaganda eleitoral (isto num dos países mais pobres da europa) .

O que acharão dos pendões da CDU a desfeiar ainda mais todas as ruas, toda a cidade ? E da mega campanha ALMADA TERRA... ?

- Um desperdicio certamente .


Não tarda temos as autarquias desta banda a reclamar ao Google, um photoshop na boa filosofia Estalinista, para embelezar as maravilhas que tanto elogiam, mas que ninguém vê !!!

quarta-feira, maio 20, 2009

O DESERTO



Quando o ex. militante comunista , hoje ministro das Obras Públicas, Mário Lino se referiu à Margem Sul como um deserto, devia conhecer a filosofia destas autarquias CDU que têm uma incompatibilidade visceral a tudo o que é campo, a tudo o que é árvore e espaço verde .

A mais recente notícia de desflorestação veio-nos de junto da A2, Estação de Serviço Seixal e é visível por todos os que ali passam. Agora já não há àrvores que regenerem o ar ou que absorvam os maus cheiros do aterro mesmo ali ao lado.

De Miratejo chega-nos também a denúncia e a crítica do corte das àrvores de maior porte de alameda principal .
Mas alguém consegue explicar esta politica de desertificação ?

Será que a filosofia é zonas de qualidade na Margem Sul, bem urbanizadas e arborizadas ? Jamais ! (em francês... leia-se JAMÉ)

terça-feira, maio 19, 2009

ALMADA TERRA PROPAGANDA


Numa época de crise como a que atravessamos, os partidos gastam à tripa-forra em propaganda política , como se nada se passasse . O Campeão é no entanto , o que mais sublinha as consequências da crise, o partido do poder na Margem Sul , o Partido Comunista, versão CDU , quantas vezes recorrendo a propaganda escondida atrás de "informação" municipal e ... paga pelos cofres autárquicos.

São as suas regras para chegar ao poder nesta nossa democracia de slogans e abstensão , mas são sobretudo as regras para se manterem no poder a todo o custo , quem tem - dos cargos transitórios que devem ser o apanágio da alternância democrática - uma visão de tacho definitivo e imutável , sustentado por uma propaganda avassaladora.

A campanha agora decorrer em Almada é de uma dimensão perfeitamente descabida , quais os valores envolvidos no mamarracho do Centro Sul e na campanha ALMADA TERRA ?... faltam no entanto ainda alguns cartazes, deixo aqui , gratuítamente as sugestões:


- ALMADA TERRA DESPERDÍCIO

- ALMADA TERRA FAZ DE CONTA

- ALMADA TERRA PROPAGANDA

segunda-feira, maio 18, 2009

ALMADA TERRA DITADURA


Num fim de semana em que Almada esteve nos olhos do País nas comemorações dos 50 anos do Cristo Rei , os comerciantes de Almada mostravam o seu desespero e o seu protesto afixando nos seus estabelecimentos o dístico acima.

Logo a diligente máquina de propaganda local, contrapunha com a habitual tática do comunicado a desmentir e a desvalorizar as razões de um protesto que há muito existe mas que agora tomou forma visível , ao mesmo tempo que o Jornal da Região publicava um artigo dando conta do descontentamento do comércio local face ao plano de mobilidade imposto pela autarquia para o centro de Almada.

O que aconteceu depois é que foi intolerável e mostra a interpertação que alguns têm de democracia .

É que, segundo dados recolhidos, alguns dos lojistas que demonstraram o seu desagrado , viram as suas montras partidas e vandalizadas durante a noite num acto intolerável num estado de direito.

domingo, maio 17, 2009

HABITAÇÃO SOCIAL , DA AUTOCONSTRUÇÃO À CORRUPÇÃO (3)


No ído período pós revolucionário ,vulgo PREC , as politicas de habitação social que assentaram na Operação SAAL , tinham a sustentá-las um envolvimento do Estado numa dinâmica de diálogo tripartida com os cidadãos e com os técnicos (arquitectos e sociólogos...) envolvidos nesse processo e até com o Movimento das Forças Armadas .

Isto numa fase em que o país se encontrava sem dinheiro, mergulhado nas consequências do primeiro choque petrolífero , e práticamente ingovernável .


Nos finais de 1975 dáva-se o 25 de Novembro , em 1976 era aprovada a Constituição e aconteciam as primeiras eleições para o Poder Local . Emergiam associações de moradores e uma grande dinâmica de intervenção social.

Foi neste enquadramento histórico que nasceu a Operação SAAL que pretendia , aplicar , com o envolvimento dos actores acima mencionados, politicas de habitação em ruptura com os Bairros Sociais da ultima fase do Estado Novo e que aplicava a politica de bairros sociais segregadores para as periferias urbanas.


Da discussão entre todos os intervenientes no processo surgiram objectivos que conduziram este programa para políticas urbanas e de habitação com as seguintes linhas mestras :

- O direito a uma habitação decente e o «direito ao lugar».

Estes objectivos eram encarados como objectivos realistas e tangíveis, suficientemente precisos para permitir a mobilização ampla de um leque diversificado de actores, especialmente de populações locais, e suficientemente progressistas para se «encaixarem» no projecto mais amplo de transformação socialista da sociedade portuguesa.

Enquanto o primeiro objectivo - a habitação decente - ecoava directamente nas necessidades mais básicas de amplos sectores das populações urbanas, o segundo objectivo - o «direito ao lugar» -, enraizava-se numa longa história de resistência das populações de bairros urbanos contra a sua transferência, pela força ou por via de decisões administrativas - ainda que com a melhor das intenções - para outros bairros, normalmente situados nas periferias da cidade.


Depois de 1976, contudo, este tipo de política habitacional, associado à recusa do «direito ao lugar», foi frequentemente utilizado como meio para a redistribuição de populações em função das dinâmicas de especulação fundiária e dos negócios da construção civil, dando origem a graves situações de exclusão social. Populações de vários bairros urbanos continuam, hoje, a resistir a essa política. (João Arriscado Nunes , Nuno Serra
in «Casas decentes para o povo»: movimentos urbanos e emancipação em Portugal ).

Outra marca do SAAL era a vincada vertente arquitectónica dos seus projectos que hoje são referência internacional , com as assinaturas de Siza Vieira (imagem 1 Bairro das Bouças Porto) , Eduardo Souto Moura , Hestnes Ferreira ou Gonçalo Byrne (imagem 2 Bairro Casal da Figueira Setúbal ) entre outros , marca abandonada pelos blocos descaracterizantes e estigmatizantes , da habitação social mais recente.

O que se fez posteriormente à extição do SAAL , pode-se dizer que foi o recuperar das politicas de habitação social do final da ditadura , com as consequências que passados trinta anos se conhecem, quer socialmente, quer do ponto de vista urbano.

O que é ainda mais triste é verificar que, as autarquias que seguiram supostamente , desde essas primeiras eleições autárquicas de 1976 , a alegada via da participação popular acabaram por seguir o mesmo caminho fascista, autoritário, segregador e guetizante das ideias que supostamente combatiam.

Houve um aproveitamento político e clientelismo na subversão de princípios dos programas de habitação social posteriores, como o PER (Plano Especial de Realojamento já extinto ) , ou CDH (Contrato de Desenvolvimento de Habitação) que entraram na especulação fundiária, na procura das mais valias por alteração de uso do solo e construção civíl , que nem os Planos Directores Municipais vieram pôr cobro, antes serviram como mais um instrumento de delapidação territorial, saque ambiental e tráfico de influências marginalizando ao mesmo tempo populações carenciadas para as periferias em verdadeiros guetos com resultados que diáriamente fazem notícia .

sábado, maio 16, 2009

HABITAÇÃO SOCIAL , DA AUTOCONSTRUÇÃO À CORRUPÇÃO (2)



A Aldeia da Meia Praia em Lagos foi também ela uma operação SAAL tornada famosa por uma canção de José Afonso , a "canção da autoconstrução" .

Hoje a "canção é a da chave na mão" , paga paternalisticamente por todos nós , com o orçamento mínimo fraudulento ou o subsídio de desemprego forjado ...

A filosofia base do SAAL era construír habitação condigna, não nas periferias , criando guetos , mas nos próprios locais onde as pessoas viviam e estavam integradas. Era envolver as populações no esforço social de construção criando importantíssimos laços afectivos às habitações.

Aldeia da Meia-Praia
Ali mesmo ao pé de Lagos
Vou fazer-te uma cantiga
Da melhor que sei e faço
(...)

Oh mar que tanto forcejas
Pescador de peixe ingrato
Trabalhaste noite e dia
Para ganhares um pataco
(...)
Quem aqui vier morar
Nao traga mesa nem cama
Com sete palmos de terra
Se constrói uma cabana
(...)
Tu trabalhas todo o ano
Na lota deixam-te mudo
Chupam-te até ao tutano
Chupam-te o couro cab'ludo
(...)
Diz o amigo no aperto
Pouco ganho, muita léria
Hei-de fazer uma casa
Feita de pau e de pedra
(...)
Oito mil horas contadas
Laboraram a preceito
Até que veio o primeiro
Documento autenticado

Veio um cheque pelo correio
E alguns pedreiros amigos
Disse o pescador consigo
Só quem trabalha é honrado

Quem aqui vier morar
Nao traga mesa nem cama
Com sete palmos de terra
Se constrói uma cabana

Eram mulheres e crianças
Cada um c'o seu tijolo
"Isto aqui era uma orquestra"
Quem diz o contrário é tolo

E toda a gente interessada
Colabarou a preceito
- Vamos trabalhar a eito
Dizia a rapaziada

Nao basta pregar um prego
Para ter um bairro novo
Só "unidos venceremos"
Reza um ditado do Povo
(...)
Mandadores de alta finança
Fazem tudo andar pra trás
Dizem que o mundo só anda
Tendo à frente um capataz

(...)

Eram mulheres e crianças
Cada um c'o seu tijolo
"Isto aqui era uma orquestra"
Quem diz o contrário é tolo

quinta-feira, maio 14, 2009

HABITAÇÃO SOCIAL , DA AUTOCONSTRUÇÃO À CORRUPÇÃO



Em 1975 a abordagem que era feita ao "Direito à habitação" (clique) tinha como estratégia a operação SAAL.

A Operação SAAL (clique) (Serviço Ambulatório de Apoio Local), foi um programa de habitação, que surgiu entre 1974 e 1975, no Porto, Lisboa, Setúbal e Algarve. Este programa, consistia na construção de casas a baixo custo, para as populações carenciadas. Estas construções eram financiadas a fundo perdido, com apoio no terreno, através de arquitectos e engenheiros, contratados pelo Estado e também da ajuda dos próprios moradores. Este programa visava a erradicação completa das zonas de barracas.

Está em exibição, um filme que retrata este programa, intitulado “As operações SAAL” do realizador João Dias.

AS OPERAÇÕES SAAL, de João Dias é o mais completo, abrangente e emocionalmente rico documento, de um período crítico do Pais e da sua história recente. Em 1974/75, um projecto de habitação envolveu arquitectos e população numa iniciativa única e revolucionária. Os pobres conquistavam casas, que eles próprios construíam, e a arquitectura portuguesa dava um passo ímpar na sua afirmação dentro e fora de portas.

Trinta anos depois, as memórias filmadas dos actores destes processos ajudam a entender as repercussões sociais e culturais das Operações SAAL, ao mesmo tempo que um extenso acervo documental inédito ajudará a reflectir sobre os caminhos que a arquitectura e o urbanismo têm percorrido desde essa altura.

AS OPERAÇÕES SAAL é um exemplo de documentário crítico, porque os sucessivos avanços na acção - e no território - resultam de um obsessivo desejo de intromissão na verdade, contaminado de um sentido de urgência perante factos em risco de desaparecimento. (Dossier de imprensa).

SETÚBAL PARA ALÉM DA BELA VISTA

Setúbal vai receber nos próximos dias o Congresso do Clube das Mais Belas Baías do Mundo.

O Clube das Mais Belas Baías do Mundo foi criado em França há cerca de dez anos, tendo por missão reunir lugares excepcionais em todo o mundo com vista a criar uma plataforma de intercâmbio e de informação sobre as boas práticas em matéria de ambiente no litoral.


Ao propor ao Clube das Mais Belas Baías do Mundo o tema “Oceanos que Nos Unem - United by Oceans” como tema para o seu 5º Congresso Mundial, quis a Associação da Baía de Setúbal emprestar um contributo decisivo na afirmação do Clube enquanto plataforma de conjugação de vontades, de todos os continentes e de todos os povos, na defesa e valorização dos oceanos enquanto património da humanidade.


O Congresso realiza-se de 15 a 17 de Maio na Estalagem do Sado

Morada: Rua Irene Lisboa nº 1 / 3 2900-028 Setúbal Setúbal
Tel.: +351 265 542 800

Fax: +351 265 542 828

e-mail:
geral@estalagemdosado.com
website:
www.estalagemdosado.com