No video , Câmara de Lisboa combate graffiti , SIC (16-10-08)
A melhor tela, associada ao melhor pincel e tinta não faz um artista nem muito menos se conjugam para que resulte uma obra de arte.
A melhor máquina fotográfica , nas mãos de não interessa quem seja, perante o momento mais decisivo não produz forçosamente uma obra prima.
É raro mesmo o maior poeta encontrar a conjunção de palavras , ideias e sentimentos que transformem uma folha em branco numa sinfonia de sentimentos únicos.
E podiamos falar do musico, do escritor , do realizador de cinema , do actor , do escultor... e de tantos outros criadores que sabem o quanto é penoso criar, o quanto criterioso e exigente é preciso ser , a dose sublime de humildade que é preciso ter em saber falhar , em saber persistir, evoluír ... criar , acrescentar algo de belo , ou nada acrescentar quando uma "tela em branco" pode ser a mais densa das criações, sobretudo quando a "tela em branco" é a nossa envolvente fisica , natural ou construída!
Claro que este não é um plano de "superioridade elitista" , de "xenofobia" criativa ou outra , de "connaisseur" ou de "critico de arte" , tem a ver sobretudo com exigência , com humildade e com génio, enfim... e com a constatação simples de que não basta querer ser Artista para o ser .
Felizmente para nós que no campo da criação em todas as Artes acima descritos, não esbarramos a cada passo que damos com as suas criações , as conseguidas ou as que geralmente vão parar a um canto do atelier, ao fundo de uma qualquer gaveta, no cesto dos papéis .



Mas há uma outra etirpe de artista , os graffiter´s uma estirpe que se nomeia como criadora, antes que de uma forma natural a sociedade o aceite e reconheça , uma estirpe que tudo o que faz ou sobre o que faz tem a pretensão de ser reconhecido como artista, uma estirpe que eleva a assinatura a um estatuto de Obra e que pior que tudo , quer se goste quer não , invade o nosso espaço quotidiano colide com as nossas liberdades de escolha (somos obrigados a ver) e ainda mais intolerável, temos que reconhecer a suposta Arte e o suposto Artista .
Claro que esta é a inversão da Arte e da Estética , ou por outro lado , é a imposição de uma arte e de uma estética , uma imposição literal, quando nos invade o olhar em cada esquina , nos condiciona pelo que intimida e nos faz ver o quanto não somos bem vindos , o quanto estamos a mais naquele espaço.



Por mais argumentos que teçam, este é um totalitarismo que é inaceitável e que torna a cidade insuportável, tal como a overdose de publicidade e de propaganda (autorizada) que nos esconde muitas vezes o feio, mas também o belo ou a simplicidade de um recorte de céu.
Não é aceitável a tolerância que alguns pretendem ter como salvo conduto , não é sinal de maioridade cultural nem de modernidade social a sua aceitação, e muito menos é verdade que haja , nas cidades tomadas como referência (Londres, Nova Iorque, Paris , Barcelona...) uma tolerância em relação ao graffiti , havendo mesmo em acção planos intransigentes de tolerância zero em relação a estas actividades consideradas na generalidade dos casos como passíveis de procedimento criminal.
Ao associar o não apreciar o graffiti a uma mera questão de gosto elitista , e passadista, é , sobretudo para quem tem responsabilidades politicas de uma ignorância e irresponsabilidade total e traduz o fosso cada vez mais gritante entre a classe politica , iluminada e preocupada com o "politicamente correcto" e o verdadeiro sentir das populações , sua cultura e preocupações .


A Câmara de Lisboa (ver vídeo) já percebeu que não é esse o caminho e que o risco de tudo continuar como está poderá resultar em perdas graves para o turismo , embora mais preocupante seja a qualidade de vida e a harmonia espacial que nega à população residente.
Outras se lhe seguirão , está nas nossas mãos e no nosso voto recusarmos que a Margem Sul se transforme na habitual reserva supostamente progressista, mas na realidade à margem do verdadeiro progresso e qualidade urbana , sempre adiados .



Desafio as forças politicas que promovem esta sua eleita arte, a elaborar para as próximas autárquicas, cartazes e outdoors onde seja dado destaque gráfico ao graffiti e a outras culturas ditas marginais e de "vanguarda" , e que esclareçam programáticamente qual a sua politica relativamente ao espaço urbano , nomeadamente sobre o graffiti .
Ou tudo isto não passa da hipocrisia do costume ?
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NOTA
Sou por princípio avesso à criação de zonas de excepção , essa é a postura de políticos fracos e amantes do politicamente correcto , e já agora, uma zona de excepção só para graffiters porquê?
E todas as outras práticas minoritárias e marginais, não terão elas a esta luz , direito também a zonas de excepção , por exemplo o tunning, como um leitor ontem deixou aqui expresso?



E se o graffiti... o tunning por representarem práticas culturais (minoritárias) , porque não uma rua destinada á excisão feminina, ou outra onde se tolere a linguagem e os grafismos nazis ou xenófobos ... ?
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NOTA FINAL
Estou de acordo com a criação nas autarquias , de uma CASA DAS ARTES vocacionada para a produção e exposição artistica, que dê espaços de criação artistica aos graffiters , mas também a todos os outro campos da criação artistica , pintores, fotógrafos, escritores, escultores etc...
Não estou de acordo que pela visibilidade, e pressão marginal, haja uma discriminação positiva exclusiva a quem danifica património . Isto é inaceitável e anti-constitucional.



































