Há em Portugal , concelhos do Litoral apostados não na sua qualidade de vida e conservação ambiental sustentável (pensando no futuro das presentes e próximas gerações) , mas sim em urbanizar e construír no imediato o mais possível, isto na medida inversa em que são delapidados valores natutrais fundamentais . OSeixal é um desses concelhos!
No passado dia 26 de Novembro o Vereador da Câmara do Seixal pelo P.S. Samuel Cruz, editou no seu blogue Rumo a Bombordo , com públicação, suponho , na presente semama no Jornal Comércio do Seixal e Sesimbra, o texto que pela sua importância e necessidade de divulgar ao maior número de leitores , aqui se replica . Passo a citar :
O tema que vos trago aqui hoje não é novidade para quem me ouve com alguma regularidade, o caos urbanístico, o excesso de construção e a consequente perda de qualidade de vida da população do Seixal. Aliás para quem nunca me escutou tal também não será novidade, tal realidade certamente saltará à vista, mesmo do mais distraído. Se não, pense porque é que os cuidados de saúde que lhe prestam não são os que merece, porque é que os seus filhos não têm a escola que deviam, porque é que os transportes públicos não o levam onde deseja ou o local onde vive não dispõe dos espaços verdes que lhe prometeram…
Tudo isto, no concelho do Seixal tem um nome e uma razão de ser, e essa razão é o mau ou, em certos casos mesmo, inexistente planeamento urbanístico. E assim foi, e ainda é, porque a maioria PCP/CDU que governa o nosso município há mais de trinta anos, há falta de bem saber gerir, criou um monstro com infinitas necessidades nutritivas (entenda-se uma máquina municipal que consome em despesas correntes e nos mais variados folclores e fogos de artificio todos os recursos de que dispõe).
Ora para alimentar este gigante que se chama Câmara Municipal do Seixal, a solução encontrada foi a emissão de papel-moeda autárquico, e esta emissão de papel-moeda consiste nada mais nada menos que emissão de alvarás de loteamento, licenças de construção, Planos de Pormenor, e toda uma panóplia de instrumentos que, mais ou menos legalmente, permitiram transformar um concelho rural no inicio da década de 70 do século passado, com menos de 40.000 eleitores, num subúrbio descaracterizado com cerca de 200.000 habitantes hoje em dia, uma das maiores taxas de crescimento demográfico do nosso país portanto.
Ao mesmo tempo também a autarquia cresceu, e de que maneira! Se o município sobre a gestão comunista, iniciada em Abril de 1974, viu a sua população quintuplicar de menos de 40.000 habitantes para os actuais 200.000, já a máquina camarária multiplicou por 14 os seus 120 funcionários de 1974, chegando assim aos seus quase 1700 empregados actuais. Poder-se-ia pensar que o pior já passou, mas, infelizmente não é assim, temos em plena fase de desenvolvimento os empreendimentos Seixal Baía com 300 novos fogos; a Quinta da Trindade (vulgarmente conhecida por urbanização do Benfica) com mais 1516 novas casas, e isto a somar a todos os pequenos empreendimentos que todos os dias nascem como cogumelos nas nossas ruas.
Depois há ainda projectos imobiliários já autorizados pela Câmara Municipal mas ainda não executados, dos quais destaco o Campo de Golf na Flor da Mata, 196 lotes destinados a moradias, moradias em banda, apartamentos turísticos e hotel, num total de 57.375m2 de nova construção; o loteamento do Alto da Verdizela que por si só se destina a 30.000 novos habitantes, o Plano de Pormenor da Torre da Marinha com 1.200 novos fogos e o Plano de Pormenor da Siderurgia com mais 1.500 novos fogos.
Ou seja já na forja tem esta Câmara autorizados a construção de 20.000 novos fogos, com uma população estimada de 60.000 novos habitantes!
Mas para quê este desenfreado licenciamento de nova construção se só no nosso concelho há cerca de 5.000 imóveis usados para venda?
Como já disse a explicação é só uma, inexistente planeamento urbanístico condicionado pela absoluta necessidade de financiamento da Câmara Municipal do Seixal, senão pensemos, o que justifica o licenciamento de 20.000 novos fogos, quando existem neste momento cerca de 5.000 disponíveis no mercado e é indesmentível que as infra-estruturas existentes não correspondem às necessidades de quem já cá habita?
Muito provavelmente a resposta encontra-se no 1.333.038,85€ já pagos pelo promotor do novo campo de golf em taxas urbanísticas (TRIU – Reforço e Infra-estruturas Urbanísticas e RMTEU – Edificação e Urbanização) ou nos 7.576.408,02€ devidos pelo promotor da urbanização Alto da Verdizela apenas como Caução para garantia da execução das obras do loteamento.
































