
Não faltam alternativas para implantar o hipotético hospital, mas porque razão só se fala no único Sitio Rede Natura existente no Concelho?
A anunciada reviravolta no resultado do estudo que anteriormente aconselhava a ampliação do Hospital Garcia de Horta em deterimento da construção de uma nova unidade de raiz no Seixal , – ainda não decidida nem anunciada pelo Governo - “possivelmente a localizar num terreno público no Fogueteiro” acaba por ser acima de tudo o premiar ( e legitimar) do erro que é o modelo de desenvolvimento aplicado a toda aquela região, de tal forma que o único argumento para construir um novo “hospital” é unicamente o de que “ as dificuldades de circulação a certas horas do dia, podem exceder os tempos de demora aceitáveis para o acesso a uma unidade hospitalar, nomeadamente em situações de urgência”.
Espera-se que a comissão que avaliou a construção de um novo hospital baseando-se neste factor de má mobilidade e mau ordenamento , tenha contado com um novo IC(32) que passará a Oeste da actual A2 a menos que se considere que esse IC32 não descongestionará a A2 no troço Fogueteiro-Almada nem facilitará a mobilidade entre os concelhos de Almada e Seixal e não facilitará também a ligação de Sesimbra a Almada (seria assim, talvez melhor não o construír!!!).
Se há lacunas deste tipo no estudo (tal como a que não conta com a faixa de emergência na autoestrada - ? - ) está-se levianamente a delapidar o erário Publico e a contribuir mais uma vez para encobrir a incompetência de autarcas na gestão do território , neste caso com o custo de um novo “hospital” – com pequenas dimensões, e com serviços orientados para o hospital de dia, o ambulatório, a reabilitação e os cuidados materno infantis - quando faria mais sentido e teria menores custos e melhor atendimento, uma ampliação do Hospital já existente (HGH) com todas as valência e em pleno funcionamento, assim é dele que Seixal e Sesimbra continuarão dependentes... se as valência vão ser só aquelas anunciadas e reduzidas, então o problema de mobilidade para o Garcia de Horta continua real e este hospital não vai resolver seja o que fôr no argumento utilizado para o justificar.
A decisão normal num país normal, rico, desenvolvido e ordenado seria aquela que resultou do primeiro estudo, como não somos nada disso, a decisão “correcta” será mesmo construir um novo hospital mesmo se minimalista em termos de valências acarretando sempre uma dependência do Hospital Garcia de Horta – Mas o que terá contribuído para uma alteração tão radical nas conclusões do estudo da Escola de Gestão do Porto?
Outro factor que se continua a estranhar é o facto dado como consumado de que a localização será o Fogueteiro. Ora aquela localização insere-se num Sítio Rede Natura 2000... Enquanto o concelho do Seixal se expande em todas as direcções, é realmente estranho que o único lugar apontado seja uma zona sob protecção ambiental... sobretudo quando no Seixal se fala na reconversão dos terrenos da antiga Siderurgia (200 ha) que receberão uma operação de reconversão à semelhança da operada na zona de intervenção da Expo 98 onde no caso, para além de habitação, tal como está projectada para o Seixal, se construíu também um Hospital (o CUF Descobertas) ,este local do Seixal teria a vantagen de servir em proximidade também a freguesia mais populosa de Sesimbra (Quita do Conde) e o concelho vizinho do Barreiro pela ponte que será construída em breve e que permitiria que esta pequena unidade hospitalar do Seixal funcionasse também em ligação e complementaridade com o Hospital do Barreiro.
Outras zonas poderiam igualmente ser tomadas em consideração para a construção deste “hospital” , até por vir a ser não um Hospital com todas as valências como já referimos – tal como os criticos da construção temiam - uma “pequena unidade de proximidade” . Ela deveria , pela estrutura anunciada, não estar inserida no meio de uma floresta (protegida) mas mais entrosado com a malha urbana , opções seriam zonas já condenadas à urbanização como a zona da Quinta da Trindade, Quinta do Outeiro na zona dos futuros Paços do Concelho , ou na Amora junto ao novo hipermercado LECLERC em construção ou ainda na zona de expansão urbana para S.Marta do Pinhal ou zona dos antigos areeiros e porque não dado o lobbye do PCP nesta questão, na Quinta da Atalaia ?...Porque são sempre as zonas verdes virgens e protegidas a ser sacrificadas?
É que se a razão apontada para a construção deste hospital é a acessibilidade, não se compreende que quem defende a localização do Fogueteiro não tenha ponderado o congestionamento brutal da Estrada 378 – Fogueteiro –Sesimbra, isto ainda sem ter sido construído o Eco-Resort da Mata de Sesimbra, este congestionamento da EN 378 é bem mais problemático que o congestionamento da A2 que tem faixa destinada a emergências, outro ponto ignorado nesta revira-volta decisória...
Fico também curioso de ver também como coexistirá num mesmo Sítio Rede Natura 2000 um local de protecção ambiental definido por regulamentação comunitária, e duas centrais de betonagem, uma delas acabada de instalar...e agora um Hospital...
No meio de tudo isto sobra o engano e a hipocrisia dos que incitam à luta pela manutenção das Maternidades no interior equiparando-a à agitação popular do PCP no Seixal, quando uma é consequência directa da outra, é por o interior se desertificar em função desta suburbanização de zonas como as do Seixal (premiado com a construção de um pequeno hospital) que no interior fecham maternidades ...nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.
































