
Por se considerar ter um lado pedagógico e muito oportuno passa-se a citar partes de um artigo publicado no DN de 19 de Julho, da autoria de Joana Amaral Dias."(...) Avelino Ferreira Torres começou o seu mandato como presidente da Câmara de Marco de Canavezes em 1983. Há mais de vinte anos. Fátima felgueiras assumiu o mesmo cargo em felgueiras em 1995, Isaltino Morais foi eleito pela primeira vez presidente da Câmara de Oeiras em 1986. Valentim loureiro assumiu a presidência da Câmara de Gondomar em 1993.
Estes quatro autarcas (que refiro aqui como exemplo, pois outros casos se poderiam mencionar) tiveram apoio partidário e popular durante anos, e muitos dos crimes de que são agora acusados não terão começado ontem (...).
Supondo que se confirmam as acusações de que são alvo, durante muito tempo a investigação policial e a justiça não cumpriram o seu papel. A impunidade foi rainha. O Estado falhou em duas áreas fundamentais.
Os prejudicados- singulares e colectivos - não foram protegidos e o que se passou, mais explicita ou latentemente, foi que "o crime compensa".
E se o estado foi negligente, que dizer da responsabilidade dos partidos? (...)
A conexão entre os dirigentes nacionais dos grandes partidos com o poder local é uma espécie de relação simbiótica, como alguns fungos têm na natureza. Os partidos, aliás, são fortemente dependentes dos autarcas: no voto, no financiamento, no recrutamento de militantes. Beneficios, expedientes e influências andam de lá para cá e de cá para lá. O betão, essa eterna galinha dos ovos de ouro, não pode ser mais alicerçante.
Por isso urge também mudar a Lei das Finanças Locais e proceder à descentralização de competências e meios, dotando as comunidades territoriais de orgãos eleitos.
Só assim as autarquias deixarão de ser financiadas pela construção civil e parará a máquina de interesse entre este e sucessivos governos. Apenas desse modo serão reduzidas as assimetrias geográficas, se apostará seriamente na defesa do ambiente e se conseguirá a tão famigerada intervenção cidadã.
Pena é que o poder local tenha sido reduzido à democracia do meu quintal. As autarquias poderiam ser um balão de oxigénio na politica: de inovação, proximidade e participação. Que o digam os bons autarcas - a excepção . Lamento a possivel reeleição de candidatos arguidos ".
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_______________________________________________Como que de propósito apenas três dias depois de publicado este artigo de opinião, era noticiada mais uma investigação a lançar suspeitas sobre mais uma autarquia, trata-se de investigações do Ministério Publico à Câmara da Amadora, em cima da mesa estão alegadas práticas dos crimes de corrupção, tráfico de influências e peculato, em causa estão as "relações" entre aquela autarquia e um conjunto de empreiteiros. E na sua mira foram constituidos arguidos Vereadores do PS e PCP, arquitectos, engenheiros e projectistas da CMA e os mencionados construtores civis...Excluido do rol está o presidente da autarquia, o socialista Joaquim Raposo . (Expresso 23/7/05).
Relembra-se que esta investigação resultou de acusações anónimas e identificadas chegadas ao MP envolvendo funcionários autárquicos e vereadores de todos os partidos respresentados. Em 1993 houve a denuncia de um ex. vereador, da existência de um esquema de cobrança de comissões pela aprovação de projectos urbanisticos. Segundo o Expresso, "na sua versão, os pagamentos eram conhecidos e autorizados pelos vereadores do PS e PSD (numa autarquia de maioria CDU) porque serviam também para financiar estes partidos".
Hoje na Amadora e segundo a oposição "há um excesso de construção", claro que , como afirmou Neto da Silva (candidato PSD/CDS/PPM) "Até que as pessoas sejam condenadas é preciso presumir a sua inocência". Mas logo nos assalta o espirito o artigo anterior de Joana Amaral Dias sobre a morosidade da justiça:
"Em muias situações essa demora implica perda ou dificuldade na prova. A vítima fica a agonizar (mais ou menos, dependendo da gravidade do crime) durante esse periodo letárgico . O exemplo dado aos restantes cidadãos, parte integrante do processo de socialização, é falho e pode induzir uma mensagem errada ou perigosa. Portanto quando a justiça tarda, a justiça falha".
Há pois aqui neste caso da Amadora uma excelente oportunidade de marcar um ponto de viragem nesta morosidade e na revelação de outras investigações em curso.
Essa desconfiança na justiça, na sua eficácia e morosidade têm contribuído de forma significativa , por um lado para o descrédito dos politicos e dos autarcas e conduzido a um afastamento das decisões mais básicas e fundamentais como a participação eleitoral, com o aumento exponencial da abstenção.
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Outro factor que cada vez mais afasta os cidadãos da vida politica, é o mau exemplo de desperdicio de dinheiro que os partidos politicos dão , não devido ao simples facto de existirem, isso são os custos de viver em democracia , e todos os pagamos com bom grado, mas do fausto cada vez maior, mais sofistificado e dispendioso das campanhas e máquinas partidárias bem como a forma pouco clara como se financiam e a forma como "prestam contas" ...no fim de cada campanha eleitoral onde sistematicamente ultrapassam impunemente a fasquia estabelecida.Entretanto entrou em vigor a nova Lei de Financiamento dos Partidos, com a finalidade de pôr alguma ordem neste pântano, a nova lei impede, por exemplo os donativos anónimos. Curioso que o partido que mais se assume como íntegro e inquestionável , o PCP, sempre se tenha oposto à aprovação desta lei, " por a considerar um ataque directo à sua gestão interna" (JN 22/7/05) , nestas formas agora questionadas de financiamento está o obtido pelo PCP através da Festa do Avante, cujo rosto da sua organização é também o rosto do candidato à Câmara de Lisboa...ou seja, mais uma lei para não ser respeitada pelos partidos, pelos politicos, pelos eleitos, e pelos candidatos ...que lei nos vai continuar a reger então ? A lei do betão? ... Certamente a lei do descrédito nos politicos!
- E o esquema denunciado na Câmara de então maioria CDU da Amadora ?
- Há riscos ou factos de ter sido aplicado noutras autarquias ?
- É aplicado noutras autarquias e daí a invasão do Betão?
- É assim que os partidos se financiam ?
- Porque não quer o PCP respeitar a nova lei de financiamento dos partidos?
- Porque tem o PCP uma quinta no Seixal?
- Como existe em Portugal, um território demarcado por uma bandeira , não a nacional, mas a da foice e do martelo... caso unico nas democracias ocidentais...?
- Como se arroga um partido o direito de não respeitar uma lei da Republica ?


































